Estudio-galeria Mamute
Tipo de Instituição: Estudio-galeria
Data da visita: 18 de Maio de 2013
Estrutura física: Localizado em Porto Alegre, na rua Caldas Junior 375, no Centro Histórico, em um prédio tombado pelo patrimônio histórico que mescla elementos neoclássicos, barrocos e de Art Nouveau. Justamente por isso, intervenções drásticas na estrutura do local, como por exemplo para ampliações, não são possíveis. Antigamente, o local onde agora se encontra a galeria era uma residência de luxo, com quartos e salas grandes, que viraram salas para as exposições. Até 2011, a galeria ficava localizada em espaço pequeno na Duque, entretanto, esse espaço não era suficiente e por isso a mudança. O estabelecimento funciona de Segunda a Sexta, das 14 as 18 horas.
Tipo de atividades desenvolvidas e papel no sistema artístico local: Além de ser um espaço para os artistas poderem mostrar suas obras, especialmente as que tangenciam o cruzamento entre arte e tecnologia, também oferece oficinas, grupos de estudo, palestras, cursos e residência artística. O local também comercializa algumas obras, de acordo com o interesse dos artista. Muitos deles retribuem a galeria deixando parte de sua obra para o crescimento do acervo. Atualmente a maior parte do acervo é composta de mídias. O local recebe alguns patrocínios, sendo os mais importantes os proveninentes do Santander Cultural e da GBOEX.
No momento de nossa visita, várias obras de video arte estavam em exposição, sendo a mais interessante uma obra de Gabriel Mascaro com Paulo Bruscky denominada "As aventuras de Paulo Bruscky". No video, um avatar de Paulo Bruscky entra no universo virtual da rede social Second Life e no processo de conhecer esse novo mundo, reflete sobre sua vida.
Estrutura pessoal: São 4 pessoas efetivas (Niura, seus filhos e Leocádia Costa) mais a assessoria financeira e colaboradores.
Profissional que recebeu a turma: Niura Mariza Oliveira da Silva Borges
Biografia resumida: Produtora cultural, videoartista e documentarista com mestrado em artes visuais pela UFRGS e especialista em psicopedagogia. Tem interesse em especial pelo cruzamento entre as artes visuais, tecnologia e o cinema. Por isso, e especialmente, pela demanda que sentiu por um espaço que privilegiasse não só as artes visuais mais tradicionais mas também a video arte, fundou o estudio-galeria Mamute, a primeira do galeria do Brasil focada em video arte, cujo nome se deve a várias razões: além de ser um nome diferente e curto, o mamute é um animal coletivo.
Bolsa de Arte
Tipo de Instituição: Galeria de arte contemporânea
Data da visita: 8 de Junho de 2013
Estrutura física: O local está localizado na rua Visconde do Rio Branco 365, no Bairro Floresta, em Porto Alegre. é um local de dois andares bastante amplo e clean, com 800 metro quadrados que de acordo com o site, "reflete a confiança de artistas, colecionadores e do mercado no trabalho da galeria". Essa sede nova foi adquirida em Março de 2011, a antiga era localizada na rua Quintino Bocaiuva, não muito distante do local atual.
Tipo de atividades desenvolvidas e papel no sistema artístico local: O local lança exposições com artistas contemporâneos de renome e também iniciantes criteriosamente escolhidos para poderem apresentar e vender suas obras (o local recebe por semana em média 15 portfólios de artistas novos). Além disso, a equipe do Bolsa de Arte costuma ir em feiras, tanto nacionais como internacionais (por exemplo, a feira de arte internacional de Dubai). Normalmente, são 7 exposições e 4 feiras por ano, sendo 2 no Brasil e 2 no exterior. Em mais de 32 anos de atividades, já realizaram mais de 250 exposições. Eventualmente também organizam cursos, mas de acordo com a Marga, não são muito frequentes. Segundo ela, também é fornecida consultoria para pessoas que desejam ajuda para adquirir algum tipo especifico de arte para uma determinada parede ou estabelecimento. Ela mencionou o caso da casa de um cliente, que graças a consultoria, decidiu adquirir e exibir em casa uma video arte no corredor de sua casa. Embora exista um mercado para a arte, há dificuldades para manter o local já que as tributações são bastante pesadas, não havendo nenhum tipo de desconto pelo fato de ser arte.
Estrutura pessoal: Equipe pequena de menos de 10 pessoas, entretanto, representam mais de 30 artistas.
Profissional que recebeu a turma: Marga Pasquali
Biografia resumida: Trabalha no mercado de arte desde 1980. Gerencia a galeria junto com Egon Kroeff. Faz consultorias para clientes, curadorias e acompanha tanto o trabalho dos artistas que a galeria representa quanto os novos que são escolhidos normalmente através da avaliação de seus portfólios.
Meus trabalhos e experiências no curso de História da Arte na UFRGS
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sexta-feira, 21 de junho de 2013
sábado, 18 de maio de 2013
Relatório sobre a visita ao Studio Clio e MACRS
Studio Clio - Instituto de Arte e Humanismo
Endereço: Rua José do Patrocinio 698
Funcionários: O quadro é pequeno, contando com recepcionista, relações públicas, curadores e professores convidados para os cursos e artistas para outras atividades como concertos.
Palestrante: Francisco Marshall
Minibiografia: Professor do Instituto de Artes, licenciado em história pela UFRGS, Doutor pela USP e pós-doutor por Princeton e pela universidade Heidelberg. Um dos fundadores do Studio Clio junto com seu irmão e curador cultural.
O prédio onde está localizado o Studio Clio foi construido em 1924, mas foi reformada pela arquiteta Ediolanda Liedke em 2004. O lugar é compoosto por um auditório com capacidade para 100 pessoas no formato concerto e 55 pessoas quando rearranjado para os banquetes culturais. O auditório conta ainda com telão para exibições de filmes e uma acústica especialmente projetada de forma que concertos e apresentações musicais possam ser apreciadas com toda a qualidade, lembrando a acústica dos antigos teatros gregos. Além disso, há um café, decorado com peças de arte, com opções de café, vinhos, cervejas e salgados. No andar acima do café há um pequeno mezanino que serve como camarim para os artistas de apresentações ou ainda reuniões. Por fim, há uma microgaleria de arte na recepção do Studio Clio, dedicada a artistas de destaque no meio cultural gaúcho, com curadoria da professora do IA Blanca Brites e do artista Leandro Selister. Entre as atividades do local, estão os banquetes culturais no qual a comida as refeições são temáticas, com referências audiovisuais que harmonizam com o alimento (inclusive, com apoio da cervejaria Coruja, uma cerveja criada pelo Instituto Clio foi lançada em edição especial, a cerveja Baca). Também ocorrem no local cursos e oficinas variadas com temas como escrita acádica, oficinas literárias, arte africana antiga e história da alta costura. Concertos e shows aproveitando a acústica privilegiada do local também são realizados assim como viagens com guias especializados através do Cliotur. Marshal mencionou que o próximo ocorrera na região da Magna Grécia e será conduzido por ele, especialista em História Antiga e arqueologia. O lugar não recebe apoio do governo, tendo que pagar altos impostos, portanto sendo obrigado a cobrar pelas suas atividades, o que faz algumas pessoas acusarem o local de elitista.
MACRS - Museu de Arte Contemporanea do Rio Grande do Sul
Endereço: Rua dos Andradas 736 na Casa de Cultura Mario Quintana.
Funcionários: Quadro pequeno, muitas dificuldades para novas contratações pois requer abertura de concursos públicos. Um dos problemas mencionados por André foi a falta de um restaurador de quadros, já que muitas obras acabaram sendo danificadas.
Palestrante: André Venzon
Minibiografia: Artista formado pela UFRGS, foi mediador de diversas exposições artisticas tendo atuado no MARGS, Bienal do Mercosul e Santander Cultural. Participou de exposições coletivas e intervenções culturais. Atualmente também é diretor do MACRS.
O museu foi criado em 1992 por um decreto do governo do estado com o objetivo de pesquisar, preservar e divulgar a arte contemporanea, especialmente no ambito regional, tendo sido gerido inicialmente por Gaudêncio Fidelis. O museu conta com um grande acervo, parte doada por artistas, parte adquirida com verbas provenientes do poder público. O espaço físico do local conta com as galerias Xico Stockinger, Galeria Sotero Cosme e Espaço vasco Prado. Entretanto, a casa de Cultura ficou pequena demais para o tamanho do museu e em breve ele receberá um espaço maior no antigo prédio da Mesbla, que agora abriga também a Ulbra. André mencionou também sobre todo catalogamento que foi feito das obras e do arquivo do museu, de forma que houvesse um maior controle e cuidado delas. Muitas já estavam sofrendo desgaste, mas felizmente em alguns casos, os próprios artistas se dispuseram a fazer o restauro. O objetivo para os próximos anos é continuar a crescer o acervo e divulgar melhor o museu para a comunidade.
Endereço: Rua José do Patrocinio 698
Funcionários: O quadro é pequeno, contando com recepcionista, relações públicas, curadores e professores convidados para os cursos e artistas para outras atividades como concertos.
Palestrante: Francisco Marshall
Minibiografia: Professor do Instituto de Artes, licenciado em história pela UFRGS, Doutor pela USP e pós-doutor por Princeton e pela universidade Heidelberg. Um dos fundadores do Studio Clio junto com seu irmão e curador cultural.
O prédio onde está localizado o Studio Clio foi construido em 1924, mas foi reformada pela arquiteta Ediolanda Liedke em 2004. O lugar é compoosto por um auditório com capacidade para 100 pessoas no formato concerto e 55 pessoas quando rearranjado para os banquetes culturais. O auditório conta ainda com telão para exibições de filmes e uma acústica especialmente projetada de forma que concertos e apresentações musicais possam ser apreciadas com toda a qualidade, lembrando a acústica dos antigos teatros gregos. Além disso, há um café, decorado com peças de arte, com opções de café, vinhos, cervejas e salgados. No andar acima do café há um pequeno mezanino que serve como camarim para os artistas de apresentações ou ainda reuniões. Por fim, há uma microgaleria de arte na recepção do Studio Clio, dedicada a artistas de destaque no meio cultural gaúcho, com curadoria da professora do IA Blanca Brites e do artista Leandro Selister. Entre as atividades do local, estão os banquetes culturais no qual a comida as refeições são temáticas, com referências audiovisuais que harmonizam com o alimento (inclusive, com apoio da cervejaria Coruja, uma cerveja criada pelo Instituto Clio foi lançada em edição especial, a cerveja Baca). Também ocorrem no local cursos e oficinas variadas com temas como escrita acádica, oficinas literárias, arte africana antiga e história da alta costura. Concertos e shows aproveitando a acústica privilegiada do local também são realizados assim como viagens com guias especializados através do Cliotur. Marshal mencionou que o próximo ocorrera na região da Magna Grécia e será conduzido por ele, especialista em História Antiga e arqueologia. O lugar não recebe apoio do governo, tendo que pagar altos impostos, portanto sendo obrigado a cobrar pelas suas atividades, o que faz algumas pessoas acusarem o local de elitista.
MACRS - Museu de Arte Contemporanea do Rio Grande do Sul
Endereço: Rua dos Andradas 736 na Casa de Cultura Mario Quintana.
Funcionários: Quadro pequeno, muitas dificuldades para novas contratações pois requer abertura de concursos públicos. Um dos problemas mencionados por André foi a falta de um restaurador de quadros, já que muitas obras acabaram sendo danificadas.
Palestrante: André Venzon
Minibiografia: Artista formado pela UFRGS, foi mediador de diversas exposições artisticas tendo atuado no MARGS, Bienal do Mercosul e Santander Cultural. Participou de exposições coletivas e intervenções culturais. Atualmente também é diretor do MACRS.
O museu foi criado em 1992 por um decreto do governo do estado com o objetivo de pesquisar, preservar e divulgar a arte contemporanea, especialmente no ambito regional, tendo sido gerido inicialmente por Gaudêncio Fidelis. O museu conta com um grande acervo, parte doada por artistas, parte adquirida com verbas provenientes do poder público. O espaço físico do local conta com as galerias Xico Stockinger, Galeria Sotero Cosme e Espaço vasco Prado. Entretanto, a casa de Cultura ficou pequena demais para o tamanho do museu e em breve ele receberá um espaço maior no antigo prédio da Mesbla, que agora abriga também a Ulbra. André mencionou também sobre todo catalogamento que foi feito das obras e do arquivo do museu, de forma que houvesse um maior controle e cuidado delas. Muitas já estavam sofrendo desgaste, mas felizmente em alguns casos, os próprios artistas se dispuseram a fazer o restauro. O objetivo para os próximos anos é continuar a crescer o acervo e divulgar melhor o museu para a comunidade.
quarta-feira, 17 de abril de 2013
Relatório sobre o ciclo de palestras sobre Arte e Educação no Iberê Camargo
Palestrante da primeira palestra: Paulo Portella Filho, coordenador do serviço educativo do MASP.
Paulo falou sobre a construção de sentidos com o público e seu trabalho no setor de educação do MASP. Setor esse que abriu somente após 60 anos depois da inauguração do museu (abertura oficial do setor foi em 1996, com 15 integrantes). Uma das iniciativas dele foi criar uma assessoria para professores de escolas públicas e particulares. Duas horas por semana esses professores recebem instrução para poderem repassar a seus alunos. Também existe um curso introdutório a história da arte usando obras do MASP, que acontece uma vez por mês sempre num Sábado. O curso já está na décima quinta edição, sempre lotado. Falou também das visitas guiadas realizadas no MASP, que podem incluir atividades de artísticas como pintura. Também falou de um projeto chamado amigos do MASP, em que professores ganham uma carteirinha que dá acesso ao museu de graça (o ingresso normal custa 15 reais). Entretanto, Paulo deixou claro que o setor educativo do MASP não visa auxiliar apenas escolas e mencionou um projeto no qual policiais militares aprendem sobre arte nas dependências do museu.
Palestrante da segunda palestra: Maria Isabel Leite, arte-educadora.
O foco de Maria Isabel foi os museus e as crianças. Ela mostrou como museus são ambientes na realidade de tédio e principalmente opressivos para crianças em vez de lugares que incentivem o lado artístico delas. As obras como quadros normalmente ficam numa altura ruim para qualquer criança poder olhar adequadamente, além disso, museus hoje em dia são cheios de seguranças, alarmes e regras. Ela citou como exemplo uma ida desastrosa ao museu de seu sobrinho que acabou disparando um alarme de um quadro sem querer por se aproximar demais de um vidro que protegia a obra. Ela mostrou também algumas iniciativas de alguns museus para deixar seu acervo mais acessível. Por exemplo, falou de um museu que permitia fazer festas de aniversário dentro, junto as obras, antes da entrada do público, junto com atividades lúdicas. A arte-educadora falou da falácia de que crianças querem sempre obras especialmente direcionadas para elas (como a exposição história em quadrões da Turma da Mônica) quando na realidade, crianças também podem apreciar obras de qualidade que são em princípio direcionadas a adultos.
Palestrante da terceira palestra: Cayo Honorato, pesquisador da USP.
A Palesta do Cayo tocou na importância do público no trabalho de um artista. Ele dividiu a palestra em três partes. Na primeira, mencionou um artigo de Marcel Duchamp chamado O ato criador, publicado em Abril de 1957. Nesse artigo, Duchamp afirma que o ato criador não é consumado sozinho. Isto é, existe uma área nebulosa entre a intenção de um artista e a obra em si. A obra quase nunca corresponde 100% as intenções do artista. Cabe ao público interpretar e decifrar essa área entre a intenção e a realização. Ou seja, o público ajuda o artista e tem papel fundamental pois acrescenta novas interpretações para as obras. Na segunda parte da palestra, Cayo falou sobre um artigo denominado A importância do público, de Leon DeGand, publicado em 1948. Esse artigo discorria sobre a falta de estudos sobre o impacto e importância desse público na obra de um artista. De acordo com o autor: "A obra não é apenas aquilo que o artista pretendeu que ela fosse, consciente ou inconsciente. É também [sic] tudo aquilo que cada um de nós, em obediência aos modismos espirituais da época e [sic] do estado de humor pessoal, diminui, acrescenta ou modifica". Além disso, foi comentado que existe uma dissonância entre público e artista e a única maneira de acabar com esse mal entendido é a educação. Para Matarazzo, o público não entende nada de arte moderna e deve ser educado mesmo a sua revelia. Na terceira parte da palestra, Cayo mostrou um projeto americano que ocorre na cidade de Minneapolis chamado Open Field. No verão, uma grande área aberta ao lado de um museu é usada para diversas atividades com o público, das mais variadas, desde violino para iniciantes a sessão de videos sobre gatos da Internet (lolcats).
Palestrante da quarta palestra: Rejane Coutinho, pernambucana pesquisadora do IA da Unesp.
A palestra de Rejane Coutinho foi para pensar sobre a formação do educador enquanto mediador cultural. A formação dos educadores é de extrema relevância e é responsabilidade do formador sempre manter o seu processo de formação, pois esse processo está sempre incompleto e em transformação. Além disso, o educador deve refletir constantemente e pensar sobre como foi sua própria educação de modo que consiga entender as dificuldades e desafios que seus alunos enfrentam. Por mediadores, entendemos que não são apenas professores, mas também mediadores de Instituições de arte, afinal, mediar é informar, partilhar, convencer e seduzir. Outra discussão que Rejane colocou em pauta foi sobre o papel do educativo para instituições. Para ela, existem dois grandes papéis: o papel promocional (valorização da instituição, conquista de clientes) e o educacional (transmissão de valores).
Paulo falou sobre a construção de sentidos com o público e seu trabalho no setor de educação do MASP. Setor esse que abriu somente após 60 anos depois da inauguração do museu (abertura oficial do setor foi em 1996, com 15 integrantes). Uma das iniciativas dele foi criar uma assessoria para professores de escolas públicas e particulares. Duas horas por semana esses professores recebem instrução para poderem repassar a seus alunos. Também existe um curso introdutório a história da arte usando obras do MASP, que acontece uma vez por mês sempre num Sábado. O curso já está na décima quinta edição, sempre lotado. Falou também das visitas guiadas realizadas no MASP, que podem incluir atividades de artísticas como pintura. Também falou de um projeto chamado amigos do MASP, em que professores ganham uma carteirinha que dá acesso ao museu de graça (o ingresso normal custa 15 reais). Entretanto, Paulo deixou claro que o setor educativo do MASP não visa auxiliar apenas escolas e mencionou um projeto no qual policiais militares aprendem sobre arte nas dependências do museu.
Palestrante da segunda palestra: Maria Isabel Leite, arte-educadora.
O foco de Maria Isabel foi os museus e as crianças. Ela mostrou como museus são ambientes na realidade de tédio e principalmente opressivos para crianças em vez de lugares que incentivem o lado artístico delas. As obras como quadros normalmente ficam numa altura ruim para qualquer criança poder olhar adequadamente, além disso, museus hoje em dia são cheios de seguranças, alarmes e regras. Ela citou como exemplo uma ida desastrosa ao museu de seu sobrinho que acabou disparando um alarme de um quadro sem querer por se aproximar demais de um vidro que protegia a obra. Ela mostrou também algumas iniciativas de alguns museus para deixar seu acervo mais acessível. Por exemplo, falou de um museu que permitia fazer festas de aniversário dentro, junto as obras, antes da entrada do público, junto com atividades lúdicas. A arte-educadora falou da falácia de que crianças querem sempre obras especialmente direcionadas para elas (como a exposição história em quadrões da Turma da Mônica) quando na realidade, crianças também podem apreciar obras de qualidade que são em princípio direcionadas a adultos.
Palestrante da terceira palestra: Cayo Honorato, pesquisador da USP.
A Palesta do Cayo tocou na importância do público no trabalho de um artista. Ele dividiu a palestra em três partes. Na primeira, mencionou um artigo de Marcel Duchamp chamado O ato criador, publicado em Abril de 1957. Nesse artigo, Duchamp afirma que o ato criador não é consumado sozinho. Isto é, existe uma área nebulosa entre a intenção de um artista e a obra em si. A obra quase nunca corresponde 100% as intenções do artista. Cabe ao público interpretar e decifrar essa área entre a intenção e a realização. Ou seja, o público ajuda o artista e tem papel fundamental pois acrescenta novas interpretações para as obras. Na segunda parte da palestra, Cayo falou sobre um artigo denominado A importância do público, de Leon DeGand, publicado em 1948. Esse artigo discorria sobre a falta de estudos sobre o impacto e importância desse público na obra de um artista. De acordo com o autor: "A obra não é apenas aquilo que o artista pretendeu que ela fosse, consciente ou inconsciente. É também [sic] tudo aquilo que cada um de nós, em obediência aos modismos espirituais da época e [sic] do estado de humor pessoal, diminui, acrescenta ou modifica". Além disso, foi comentado que existe uma dissonância entre público e artista e a única maneira de acabar com esse mal entendido é a educação. Para Matarazzo, o público não entende nada de arte moderna e deve ser educado mesmo a sua revelia. Na terceira parte da palestra, Cayo mostrou um projeto americano que ocorre na cidade de Minneapolis chamado Open Field. No verão, uma grande área aberta ao lado de um museu é usada para diversas atividades com o público, das mais variadas, desde violino para iniciantes a sessão de videos sobre gatos da Internet (lolcats).
Palestrante da quarta palestra: Rejane Coutinho, pernambucana pesquisadora do IA da Unesp.
A palestra de Rejane Coutinho foi para pensar sobre a formação do educador enquanto mediador cultural. A formação dos educadores é de extrema relevância e é responsabilidade do formador sempre manter o seu processo de formação, pois esse processo está sempre incompleto e em transformação. Além disso, o educador deve refletir constantemente e pensar sobre como foi sua própria educação de modo que consiga entender as dificuldades e desafios que seus alunos enfrentam. Por mediadores, entendemos que não são apenas professores, mas também mediadores de Instituições de arte, afinal, mediar é informar, partilhar, convencer e seduzir. Outra discussão que Rejane colocou em pauta foi sobre o papel do educativo para instituições. Para ela, existem dois grandes papéis: o papel promocional (valorização da instituição, conquista de clientes) e o educacional (transmissão de valores).
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domingo, 14 de abril de 2013
Relatório sobre a visita ao arquivo histórico do Instituto de Artes
Instituição: Arquivo histórico do Instituto de Artes
Tipo de instituição: Arquivo
Data da visita: 23 de Março de 2013
Estrutura física: Sede localizada em prédio na rua Sarmento Leite, 500, sala 114 em Porto Alegre. Consiste de algumas salas onde estão guardados a maior parte dos documentos gerados pelo Instituto de Artes da UFRGS.
Tipo de atividades desenvolvidas e papel no sistema artístico local: O arquivo histórico do Instituto de Artes tem o papel de guardar de documentações do Instituto de artes de forma que elas fiquem conservadas para manter viva a história do Ia. Armazena aproximadamente 400m lineares de documentos relativos a origem, aos direitos e objetivos da instituição, incluindo documentos como regimentos, regulamentos, leis, decretos, planos, plantas arquitetônicas, projetos, programas, pareceres, correspondências, etc. Possui também acervo manuscrito e visual como fotografias, gravuras e impressos.
Estrutura Pessoal: Atualmente composta pela arquivista Medianeira, um técnico administrativo e bolsistas.
Profissional que recebeu a turma: Medianeira Pereira Goulart.
Biografia resumida: Bacharel em Arquivologia, pela Universidade Federal de Santa Maria, em 1993. Especialista em Gestão em Arquivos, em 2010. Arquivista na Universidade Federal do Rio Grande Do Sul. Atua nas áreas de gestão em arquivos, elaboração e desenvolvimento de projetos e sistemas de informação, memória, história e políticas de preservação e conservação de acervos. Medianeira nos recebeu no Arquivo e contou das dificuldades enfrentadas para salvar os documentos. A primeira pessoa a tentar resgatar os documentos do IA foi o prof. Sirio Simon. Esses documentos foram enviados para um depósito em 1994. Entretanto esse depósito tinha diversos problemas: sofria alagamentos que molhava os documentos, além de sérios problemas na instalação elétrica que poderia incorrer num incêndio a qualquer momento, o que faria todo o material ser perdido.
Medianeira mostrou 2 fotos desse depósito que de fato confirmavam a situação calamitosa do Arquivo. Muito material simplesmente foi perdido ou apodreceu durante esse periodo. Em 2000 finalmente um local melhor foi cedido pela UFRGS, local onde o arquivo se encontra agora. Mesmo com o novo local, as dificuldades continuavam. Muitos funcionários da própria UFRGS não davam valor para o trabalho sendo realizado pela Medianeira e exigiam que as salas fossem usadas para outros propósitos. Aos poucos o material foi sendo organizado e a situação foi melhorando. Infelizmente, pouco depois o Arquivo foi arrombado por causa de um assalto, e alguns materiais como impressoras e scanner foram roubados. Medianeira também contou de um projeto extremamente bem sucedido realizado em 2009. Diversas fotos antigas selecionadas por ela foram colocadas no site do Arquivo do Ia. Com ajuda de divulgação de meios de massa como o Jornal Zero Hora, a população foi convocada a explicar quem e o contexto dessas fotos. Muitos alunos, ex-alunos e outras pessoas colaboraram, o que permitiu que quase todas as fotos fossem contextualizadas.
Tipo de instituição: Arquivo
Data da visita: 23 de Março de 2013
Estrutura física: Sede localizada em prédio na rua Sarmento Leite, 500, sala 114 em Porto Alegre. Consiste de algumas salas onde estão guardados a maior parte dos documentos gerados pelo Instituto de Artes da UFRGS.
Tipo de atividades desenvolvidas e papel no sistema artístico local: O arquivo histórico do Instituto de Artes tem o papel de guardar de documentações do Instituto de artes de forma que elas fiquem conservadas para manter viva a história do Ia. Armazena aproximadamente 400m lineares de documentos relativos a origem, aos direitos e objetivos da instituição, incluindo documentos como regimentos, regulamentos, leis, decretos, planos, plantas arquitetônicas, projetos, programas, pareceres, correspondências, etc. Possui também acervo manuscrito e visual como fotografias, gravuras e impressos.
Estrutura Pessoal: Atualmente composta pela arquivista Medianeira, um técnico administrativo e bolsistas.
Profissional que recebeu a turma: Medianeira Pereira Goulart.
Biografia resumida: Bacharel em Arquivologia, pela Universidade Federal de Santa Maria, em 1993. Especialista em Gestão em Arquivos, em 2010. Arquivista na Universidade Federal do Rio Grande Do Sul. Atua nas áreas de gestão em arquivos, elaboração e desenvolvimento de projetos e sistemas de informação, memória, história e políticas de preservação e conservação de acervos. Medianeira nos recebeu no Arquivo e contou das dificuldades enfrentadas para salvar os documentos. A primeira pessoa a tentar resgatar os documentos do IA foi o prof. Sirio Simon. Esses documentos foram enviados para um depósito em 1994. Entretanto esse depósito tinha diversos problemas: sofria alagamentos que molhava os documentos, além de sérios problemas na instalação elétrica que poderia incorrer num incêndio a qualquer momento, o que faria todo o material ser perdido.
Medianeira mostrou 2 fotos desse depósito que de fato confirmavam a situação calamitosa do Arquivo. Muito material simplesmente foi perdido ou apodreceu durante esse periodo. Em 2000 finalmente um local melhor foi cedido pela UFRGS, local onde o arquivo se encontra agora. Mesmo com o novo local, as dificuldades continuavam. Muitos funcionários da própria UFRGS não davam valor para o trabalho sendo realizado pela Medianeira e exigiam que as salas fossem usadas para outros propósitos. Aos poucos o material foi sendo organizado e a situação foi melhorando. Infelizmente, pouco depois o Arquivo foi arrombado por causa de um assalto, e alguns materiais como impressoras e scanner foram roubados. Medianeira também contou de um projeto extremamente bem sucedido realizado em 2009. Diversas fotos antigas selecionadas por ela foram colocadas no site do Arquivo do Ia. Com ajuda de divulgação de meios de massa como o Jornal Zero Hora, a população foi convocada a explicar quem e o contexto dessas fotos. Muitos alunos, ex-alunos e outras pessoas colaboraram, o que permitiu que quase todas as fotos fossem contextualizadas.
Relatório da visita ao Instituto de Artes
Instituição: Instituto de Artes da UFRGS
Tipo de instituição: Faculdade de artes visuais, cênicas e de música.
Data da visita: 16 de Março de 2013
Estrututura fisica: Sede localizada em prédio na rua Senhor dos Passos, 248, em Porto Alegre, com salas de aula, biblioteca, além dos espaços culturais mantidos pelo IA tais como o Auditorium Tasso Correa, Pinacoteca Barão de Santo Ângelo, Sala Alziro Azevedo e Sala Qorpo Santo.
Tipo de atividades desenvolvidas e papel no sistema artístico local: O IA tem papel fundamental na formação de novos artistas, além de permitir que pesquisa em arte seja feita pelos professores. O IA também promove e organiza eventos culturais.
Estrututura Pessoal: Composto por mias de 100 professores e 55 funcionários do corpo técnico administrativo (contabilidade, núcleo de informática, almoxarifado, recepção, comunicação, portaria, etc) e cerca de 800 alunos regularmente matriculados.
Profissional que recebeu a turma: Paulo Gomes.
Biografia resumida: Artista plástico, curador independente e professor na UFRGS. Mestre e Doutor em Artes Visuais – Poéticas Visuais, pela UFRGS. Desenvolve pesquisa na área de Poéticas Visuais, sobre arte contemporânea e arte no Rio Grande do Sul. Tem textos publicados em livros, revistas e jornais. Paulo Gomes falou principalmente de sua pesquisa resgatando a história do Instituto de Artes da UFRGS, o que derivou em um livro que ainda será publicado. O instituto de artes nasceu em 22 de Abril de 1908 com o nome de Instituto livre de Belas Artes fundado pelo médico Olinto de Oliveira, que inclusive hipotecou a casa para comprar equipamentos para o Instituto. Em 1930, o instituto junto com outros 5 cursos formou a UPA (Universidade de Porto Alegre).
Segundo Paulo Gomes, existia um preconceito de outros cursos por achar que um curso de Artes Plásticas não "merecia" estar junto com outros cursos mais "importantes" como Engenharia e Medicina. Em 1939 foi desvinculado da UPA, mas em 1962 foi reanexado a uma Universidade, mas dessa vez a UFRGS. O prédio que visitamos foi concluído em 1943 com ajuda de hipotecas de alguns professores. O IA seria na concepção inicial formado por 3 prédios, entretanto, só um deles foi finalizado. O professor Paulo mostrou várias salas do prédio, e mencionou as dificuldades em manter as caracteristicas e obras do prédio. Por exemplo, nos mostrou uma sala de aula com um mural que infelizemente não recebeu a devida valorização mesmo dos alunos pois cadeiras eram colocadas se apoiando na parede onde está a obra, além de infiltrações que no passado danificaram o mural. Também nos mostrou uma sala onde uma parede que tinha um mural foi completamente pintada de preto pelos alunos pois atrapalhava as festas que eram promovidas no local. Também mostrou o diretório acadêmico, uma sala nova onde pinturas são guardadas e a entrada do Instituto onde existem duas moulages, uma da Venus e outra de Apolo de Belvedere. Falou também de um mural que existe bem no alto na frente do prédio que estava com algumas rachaduras mas que foi parcialmente restaurado. Mencionou o bar que existiu por um longo tempo mas que foi fechado por falta de demanda. Atualmente uma das grandes reinvidicações dos alunos é pela reabertura dele.
Tipo de instituição: Faculdade de artes visuais, cênicas e de música.
Data da visita: 16 de Março de 2013
Estrututura fisica: Sede localizada em prédio na rua Senhor dos Passos, 248, em Porto Alegre, com salas de aula, biblioteca, além dos espaços culturais mantidos pelo IA tais como o Auditorium Tasso Correa, Pinacoteca Barão de Santo Ângelo, Sala Alziro Azevedo e Sala Qorpo Santo.
Tipo de atividades desenvolvidas e papel no sistema artístico local: O IA tem papel fundamental na formação de novos artistas, além de permitir que pesquisa em arte seja feita pelos professores. O IA também promove e organiza eventos culturais.
Estrututura Pessoal: Composto por mias de 100 professores e 55 funcionários do corpo técnico administrativo (contabilidade, núcleo de informática, almoxarifado, recepção, comunicação, portaria, etc) e cerca de 800 alunos regularmente matriculados.
Profissional que recebeu a turma: Paulo Gomes.
Biografia resumida: Artista plástico, curador independente e professor na UFRGS. Mestre e Doutor em Artes Visuais – Poéticas Visuais, pela UFRGS. Desenvolve pesquisa na área de Poéticas Visuais, sobre arte contemporânea e arte no Rio Grande do Sul. Tem textos publicados em livros, revistas e jornais. Paulo Gomes falou principalmente de sua pesquisa resgatando a história do Instituto de Artes da UFRGS, o que derivou em um livro que ainda será publicado. O instituto de artes nasceu em 22 de Abril de 1908 com o nome de Instituto livre de Belas Artes fundado pelo médico Olinto de Oliveira, que inclusive hipotecou a casa para comprar equipamentos para o Instituto. Em 1930, o instituto junto com outros 5 cursos formou a UPA (Universidade de Porto Alegre).
Segundo Paulo Gomes, existia um preconceito de outros cursos por achar que um curso de Artes Plásticas não "merecia" estar junto com outros cursos mais "importantes" como Engenharia e Medicina. Em 1939 foi desvinculado da UPA, mas em 1962 foi reanexado a uma Universidade, mas dessa vez a UFRGS. O prédio que visitamos foi concluído em 1943 com ajuda de hipotecas de alguns professores. O IA seria na concepção inicial formado por 3 prédios, entretanto, só um deles foi finalizado. O professor Paulo mostrou várias salas do prédio, e mencionou as dificuldades em manter as caracteristicas e obras do prédio. Por exemplo, nos mostrou uma sala de aula com um mural que infelizemente não recebeu a devida valorização mesmo dos alunos pois cadeiras eram colocadas se apoiando na parede onde está a obra, além de infiltrações que no passado danificaram o mural. Também nos mostrou uma sala onde uma parede que tinha um mural foi completamente pintada de preto pelos alunos pois atrapalhava as festas que eram promovidas no local. Também mostrou o diretório acadêmico, uma sala nova onde pinturas são guardadas e a entrada do Instituto onde existem duas moulages, uma da Venus e outra de Apolo de Belvedere. Falou também de um mural que existe bem no alto na frente do prédio que estava com algumas rachaduras mas que foi parcialmente restaurado. Mencionou o bar que existiu por um longo tempo mas que foi fechado por falta de demanda. Atualmente uma das grandes reinvidicações dos alunos é pela reabertura dele.
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