O reverendo Richard de Bury publicou, em 1344, o Philobiblon, uma verdadeira declaração de amor aos livros e à cultura letrada. O capítulo que lemos, o IX, intitula-se "De como os antigos estudantes eram superiores aos atuais em fervor discente". Por que, afinal, na opinião de Bury, eram esses antigos estudantes superiores em "fervor discente"?
Segundo Richard de Bury, os antigos estudantes gozavam de um espírito mais sutil e delicado, além disso, seus estudos eram mais profundos. Para ele, os sucessores 'só servem para discutir seus trabalhos e para escrever resumos de tudo o que eles conquistaram em suas ressonantes descobertas'.
Além disso, achava os estudantes do passado muito mais dedicados e regrados, conforme consta nesse trecho: 'No tocante ao ardor por aprender e ao afã pelo estudo, aqueles antepassados consagravam sua vida inteira, enquanto que nossos contemporâneos, passam os fecundos anos de sua juventude dominados pelo vício, e no momento em que, extintas suas paixões, querem alcançar o cume da ambígua verdade que perseguem, se entregam, perturbados, a misteres completamente estranhos a filosofia. Diante das dificuldades que encontram, preferem as fumegantes obrigações da juventude e, mais tarde, se dedicam aos cuidados econômicos do vinho que avinagrou rápido demais".
Meus trabalhos e experiências no curso de História da Arte na UFRGS
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sábado, 20 de julho de 2013
Questão sobre o conto Romeu e Julieta, de Matteo Bandello
Em nossos tempos é bastante difícil não conhecermos, ao menos em linhas gerais, a história de Romeu e Julieta, transformada em filmes, adaptada ao mundo infantil, e mesmo encenada em sua versão mais célebre, aquela de Shakespeare. Sendo assim, compare brevemente a versão que você já conhecia com aquela que encontrou no conto de Matteo Bandello, publicado no séc. XVI.
A principal diferença, de fato, é o final. No final de William Shakespeare, Julieta toma um veneno falso para desmaiar e ser dada como morta, e assim, evitar um casamento forçado pela sua família. Tinha avisado Romeu através de uma carta, que infelizmente, não chegou ao destinatário. Romeu ao ver sua amada que julgava estar morta, toma um veneno, dessa vez, um veneno verdadeiro, efetivo. Quando Romeu desmaia, Julieta finalmente acorda. Ela tenta através de um beijo remover o veneno de Romeu, mas é tarde demais. Ela então pega a adaga de seu amado e usa para suicidar-se. Na história de Matteo, Julieta não se mata com essa adaga, mas morre de dor, de sofrimento ao ver o corpo de Romeu. Na sua lápide consta "… de pura dor morreu".
A principal diferença, de fato, é o final. No final de William Shakespeare, Julieta toma um veneno falso para desmaiar e ser dada como morta, e assim, evitar um casamento forçado pela sua família. Tinha avisado Romeu através de uma carta, que infelizmente, não chegou ao destinatário. Romeu ao ver sua amada que julgava estar morta, toma um veneno, dessa vez, um veneno verdadeiro, efetivo. Quando Romeu desmaia, Julieta finalmente acorda. Ela tenta através de um beijo remover o veneno de Romeu, mas é tarde demais. Ela então pega a adaga de seu amado e usa para suicidar-se. Na história de Matteo, Julieta não se mata com essa adaga, mas morre de dor, de sofrimento ao ver o corpo de Romeu. Na sua lápide consta "… de pura dor morreu".
sábado, 22 de junho de 2013
Questão sobre Imagens da África de Costa e Silva
Em Imagens da África, antologia organizada por Alberto da Costa e Silva, há vários comentários de viajantes helênicos, muçulmanos e portugueses sobre os africanos, Entre os comentários lidos, indique, com justificativa, um autor que lhe pareça mais interessado em descrever costumes e modo de vida de povos africanos e outro que pareça mais interessado no mapeamento de riquezas passíveis de comercialização.
Deodoro da Sicilia é mais voltado a falar como são os costumes dos africanos, nunca mencionando as riquezas que podem ser encontradas no local. No caso, fala sobre uma tribo governada por um rei chamado Napata, que tem o exótico costume de se auto-inflingir o mesmo dano que o rei sofrer. Por exemplo, se o rei machucar o dedo, eles devem auto-machucar o dedo: "Diz-se que entre os etíopes persiste um estranho costume. Quando o rei de Napata por alguma razão, sofre um dano em alguma parte do corpo, todos os cortesãos devem, por sua própria escolha, infligir-se o mesmo dano, porque consideram que seria desonroso que, tendo o rei ficado coxo de uma perna, seus súditos mais próximos continuassem perfeitos e andassem pelo palácio, a acompanhar o soberano, sem mancar; e seria estranho que uma sólida amizade, que partilha dor e pena, assim como todas as outrâs coisas boas e más, não participasse dos sofrimentos do corpo. Diz-se ser de norma que os cortesãos se suicidem para acompanhar um rei que morre, e que esse suicídio é honroso e prova de verdadeira amizade".
Já na descrição de Chao Ju-Kua, inspetor de comércio da China e possivelmente descendente do imperador Tai-tsung, é voltada mais para mapear as riquezas. No seu curto trecho, ele descreve quais são os produtos que é possível obter na África Índica, como presas de elefante e chifres de rinoceronte. Também descreve que muitos negros são escravizados pelos árabes para serem vendidos por altos preços: "Os produtos do país são presas de elefante e chifres de rinoceronte. A oeste, há uma ilha no mar no qual vivem muitos selvagens, de corpos negros como laca e de cabelos crespos. Atraídos por comida, São capturados e levados como escravos para os países árabes onde atingem altos preços". Perceba que ele não explica como acontece a escravização, nem detalha, apenas se interessa em dizer que "atingem altos preços".
Deodoro da Sicilia é mais voltado a falar como são os costumes dos africanos, nunca mencionando as riquezas que podem ser encontradas no local. No caso, fala sobre uma tribo governada por um rei chamado Napata, que tem o exótico costume de se auto-inflingir o mesmo dano que o rei sofrer. Por exemplo, se o rei machucar o dedo, eles devem auto-machucar o dedo: "Diz-se que entre os etíopes persiste um estranho costume. Quando o rei de Napata por alguma razão, sofre um dano em alguma parte do corpo, todos os cortesãos devem, por sua própria escolha, infligir-se o mesmo dano, porque consideram que seria desonroso que, tendo o rei ficado coxo de uma perna, seus súditos mais próximos continuassem perfeitos e andassem pelo palácio, a acompanhar o soberano, sem mancar; e seria estranho que uma sólida amizade, que partilha dor e pena, assim como todas as outrâs coisas boas e más, não participasse dos sofrimentos do corpo. Diz-se ser de norma que os cortesãos se suicidem para acompanhar um rei que morre, e que esse suicídio é honroso e prova de verdadeira amizade".
Já na descrição de Chao Ju-Kua, inspetor de comércio da China e possivelmente descendente do imperador Tai-tsung, é voltada mais para mapear as riquezas. No seu curto trecho, ele descreve quais são os produtos que é possível obter na África Índica, como presas de elefante e chifres de rinoceronte. Também descreve que muitos negros são escravizados pelos árabes para serem vendidos por altos preços: "Os produtos do país são presas de elefante e chifres de rinoceronte. A oeste, há uma ilha no mar no qual vivem muitos selvagens, de corpos negros como laca e de cabelos crespos. Atraídos por comida, São capturados e levados como escravos para os países árabes onde atingem altos preços". Perceba que ele não explica como acontece a escravização, nem detalha, apenas se interessa em dizer que "atingem altos preços".
Questão sobre Abelardo e Heloísa
Uma das cartas que compõe o volume da correspondência que teria sido trocada por Abelardo e Heloísa é aquela que o filósofo dirige a um amigo. Nela Abelardo apresenta a sua versão para o romance que viveu com sua aluna, Heloísa. Ao contar a história, apresenta simultaneamente uma determinada imagem sobre si mesmo. Em sua opinião, que imagem seria essa?
Abelardo também se considerava de modo geral intelectualmente mais inteligente que os demais, e por causa disso, se via como alvo de grande inveja: "Minha fama crescia dia a dia: a inveja levantava-se contra mim". Sofreu ainda mais desse inveja quando tentou fundar sua escola, mas mesmo com as dificuldades, conseguiu funda-la em Corbeil, cidade próxima de Paris, fazendo uso de seu orgulho e sua auto-segurança: "Cheio de orgulho, seguro de mim, logo transferi minha escola para Corbeil, cidade bem próxima de Paris, para ali prosseguir mais vivamente nesse torneio intelectual".
Essa auto-segurança não era só por causa de sua inteligência, também se considerava um homem bonito e atraente que não precisa temer a recusa das mulheres: "Não duvidava do êxito: eu brilhava pela reputação, juventude e beleza, e não havia mulher junto a quem meu amor tivesse a temer recusa".
Ao conhecer Heloísa, viu outros lados de si mesmo. Por ela, se sentiu completamente apaixonado: "Todo inflamado de amor por essa jovem" e "Sob o pretexto de estudar, entregávamo-nos inteiramente ao amor". Essa paixão abarratadora mostrou o seu lado menos disciplinado: "Fazia minhas lições com negligência e torpor; não falava mais inspiradamente, mas produzia tudo de memória. Eu me repetia. Se conseguia escrever qualquer peça em versos, me era ditada pelo amor, não pela filosofia".
Se via como uma pessoa muito luxuriosa e orgulhosa, mas os acontecimentos e infortúnios que se sucederam em sua vida após o relacionamento com Heloisa, tiraram isso dele. A castração que foi vítima devido ao falso casamento que teve com Heloísa lhe tirou a luxúria, e o orgulho perdeu devido a destruição pública que foi vítima por não fé na bíblia sagrada: "Mas o orgulho e o espírito da luxúria me haviam invadido. Apesar de mim mesmo, a graça divina soube me curar de um e de outro: primeiro da luxúria, depois do orgulho. Da luxúria, tirando- me os meios de me entregar a ela Do orgulho que a ciência (segundo a palavra do apóstolo: "a ciência ensoberbece o coração") havia feito nascer em mim, humilhando-me pela destruição pública do livro do qual tirava a maior jactância.
domingo, 9 de junho de 2013
Questão sobre Os campos perfumados de Muhammad al-Nafzawi
Ainda que Os Campos Perfumados, redigido por Muhammad al-Nafzawi no séc. XV, período próspero na Tunísia, tenha sido com frequência recebido no Ocidente como uma obra "erótica", René Khawam, autor do prefácio que acompanha a edição brasileira, chama a atenção para a importância da "matéria médica" e das observações psicológicas e sociais na estruturação do texto, um "livro de educação pelo exemplo". Em sua opinião, é possível encontrar no trecho lido exemplos, elementos que corroborem o ponto de vista de Khawam?
Certamente. No capítulo I, "Os que são dignos de elogios, dentre os homens, neste domínio", embora existam várias descrições de atos sexuais e narrativas eróticas, a parte educativa também se faz presente no momento que o autor mostras as características físicas e psicológicas do que é esperado dos homens. Por exemplo, no início do texto, o autor cuidadosamente define quais são as dimensões corporais do homem que mais agradam as mulheres. Para o autor, "O homem em questão deve ter o peito leve de se suportar, mas uma bunda que pese muito". Também define com precisão o tamanho de falo mais comuns e esperados. Além de descrições físicas, ensina boas práticas como a importância de banhar-se e do uso de perfumes. Segundo o autor, "utilização dos perfumes para os homens e para as mulheres ajuda a cópula e a multiplica. Quando a mulher sente o cheiro do perfume no corpo do homem, ela se distende de maneira completa". Além disso, são descritas várias características físicas esperadas dos homens conforme o trecho a seguir: "Nunca mente quando fala a uma mulher e suas palavras correspondem a verdade. É liberal, valente, tem sentimentos generosos e caráter fácil de suportar. Quando diz alguma coisa, pode-se acreditar nele, e quando promete, mantém a palavra. Não trai a confiança depositada nele".
O mesmo acontece no capítulo II, "As que são dignas de elogios, dentre as mulheres, neste domínio". Características físicas femininas desejadas são bem detalhadas ("… é aquela que tem bom porte físico, que tem boa estatura, carne generosa, tez branca e brilhante. Seu cheiro será bom. Seus ombros serão afastados um do outro, seus braços largos, os dois ossos do antebraço grossos, Sua boca será estreita, com lábios macios, de cor vermelha carmesim, espessos, quente, equilibrados, carnudos. Terá o nariz estreito e gracioso, faces lisas de um branco brilhante, com tons rosados, olhos grandes. Seus rosto será majestoso e ,segundo alguns, deverá ter forma redonda. Suas sobrancelhas serão arqueadas, sem serem muito separadas, Sua testa será ampla, sob cabelos negros como a pintura dos cílios. Seu pescoço será longo e redondo na base. Essa mulher deverá ter ombros lagos, peito espaçoso e bem desenvolvido, assim como a cintura, os dois seios rijos, o talhe e as dobras do ventre bem proporcionados, os quadris largos e fortes, o seio arredondado, o umbigo no fundo de um abismo, as mãos e os pés pequenos").
Assim como no caso dos homens, partes sexuais femininas, no livro chamado de portal, também são precisamente descritas. Parte psicológica e comportamental da mulher ideal também é descrita em várias partes do capítulo, como por exemplo: "… Aborrecerá pouco o marido ou os vizinhos. Comportar-se-á com muita decência, permanecerá sempre em sua casa, tolerará pacientemente a ausência do esposo. Terá a língua curta e não falará muito. Possuirá as mais belas qualidades e dará conselhos abençoados por Deus a quem vier consultá-la".
Certamente. No capítulo I, "Os que são dignos de elogios, dentre os homens, neste domínio", embora existam várias descrições de atos sexuais e narrativas eróticas, a parte educativa também se faz presente no momento que o autor mostras as características físicas e psicológicas do que é esperado dos homens. Por exemplo, no início do texto, o autor cuidadosamente define quais são as dimensões corporais do homem que mais agradam as mulheres. Para o autor, "O homem em questão deve ter o peito leve de se suportar, mas uma bunda que pese muito". Também define com precisão o tamanho de falo mais comuns e esperados. Além de descrições físicas, ensina boas práticas como a importância de banhar-se e do uso de perfumes. Segundo o autor, "utilização dos perfumes para os homens e para as mulheres ajuda a cópula e a multiplica. Quando a mulher sente o cheiro do perfume no corpo do homem, ela se distende de maneira completa". Além disso, são descritas várias características físicas esperadas dos homens conforme o trecho a seguir: "Nunca mente quando fala a uma mulher e suas palavras correspondem a verdade. É liberal, valente, tem sentimentos generosos e caráter fácil de suportar. Quando diz alguma coisa, pode-se acreditar nele, e quando promete, mantém a palavra. Não trai a confiança depositada nele".
O mesmo acontece no capítulo II, "As que são dignas de elogios, dentre as mulheres, neste domínio". Características físicas femininas desejadas são bem detalhadas ("… é aquela que tem bom porte físico, que tem boa estatura, carne generosa, tez branca e brilhante. Seu cheiro será bom. Seus ombros serão afastados um do outro, seus braços largos, os dois ossos do antebraço grossos, Sua boca será estreita, com lábios macios, de cor vermelha carmesim, espessos, quente, equilibrados, carnudos. Terá o nariz estreito e gracioso, faces lisas de um branco brilhante, com tons rosados, olhos grandes. Seus rosto será majestoso e ,segundo alguns, deverá ter forma redonda. Suas sobrancelhas serão arqueadas, sem serem muito separadas, Sua testa será ampla, sob cabelos negros como a pintura dos cílios. Seu pescoço será longo e redondo na base. Essa mulher deverá ter ombros lagos, peito espaçoso e bem desenvolvido, assim como a cintura, os dois seios rijos, o talhe e as dobras do ventre bem proporcionados, os quadris largos e fortes, o seio arredondado, o umbigo no fundo de um abismo, as mãos e os pés pequenos").
Assim como no caso dos homens, partes sexuais femininas, no livro chamado de portal, também são precisamente descritas. Parte psicológica e comportamental da mulher ideal também é descrita em várias partes do capítulo, como por exemplo: "… Aborrecerá pouco o marido ou os vizinhos. Comportar-se-á com muita decência, permanecerá sempre em sua casa, tolerará pacientemente a ausência do esposo. Terá a língua curta e não falará muito. Possuirá as mais belas qualidades e dará conselhos abençoados por Deus a quem vier consultá-la".
Questão sobre As confissões de Santo Agostinho de Agostinho de Hipona
Agostinho de Hipona (354-430) haveria de se tornar um dos mais proeminentes patriarcas da Igreja. No entanto, em suas famosas Confissões (400), decide apresentar em detalhe seus erros de juventude. Que tipos de erro ou falha Agostinho detecta em si mesmo antes da conversão ao cristianismo?
Para Santo Agostinho, suas principais falhas de personalidade quando era jovem, antes de sua conversão, era a luxúria e o gosto de saborear os prazeres da vaidade humana. Além disso, desconhecia a importância de Deus.
A seguir, um trecho onde demonstra seu interesse pelos prazeres carnais e vaidades: "Era para mim mais doce amar e ser amado, se podia gozar do corpo da pessoa amada. Deste modo, manchava com torpe concupiscência aquela fonte de amizade. Embaciava a sua pureza com o fumo infernal da luxúria. Não obstante ser feio e impuro, desejava, na minha excessiva vaidade, mostrar-me afável e delicado".
No capítulo A influência de um livro de Cícero, confessa que estudava eloquência apenas para se gabar: "Era entre estes companheiros que eu, ainda de tenra idade, estudava eloqüência, na qual desejava salientar-me, com a intenção condenável e vã de saborear os prazeres da vaidade humana".
Da metade para o final do livro III demonstra como desconhecia a importância de Deus: Como podia eu conhecê-lo, se meus olhos só atingiam o corpo e meu espírito não via mais do que fantasmas? […] Ignorava que Deus é espírito e não tem membros dotados de comprimento e de largura, nem é matéria, porque a matéria é menor na sua parte do que no seu todo. Desconhecia inteiramente que princípio havia em nós segundo o qual na Sagrada Escritura se diz que "fomos feitos à imagem de Deus". […] Ignorava a verdadeira justiça interior, que não julga pelo costume, mas pela lei retíssima de Deus Onipotente.
Para Santo Agostinho, suas principais falhas de personalidade quando era jovem, antes de sua conversão, era a luxúria e o gosto de saborear os prazeres da vaidade humana. Além disso, desconhecia a importância de Deus.
A seguir, um trecho onde demonstra seu interesse pelos prazeres carnais e vaidades: "Era para mim mais doce amar e ser amado, se podia gozar do corpo da pessoa amada. Deste modo, manchava com torpe concupiscência aquela fonte de amizade. Embaciava a sua pureza com o fumo infernal da luxúria. Não obstante ser feio e impuro, desejava, na minha excessiva vaidade, mostrar-me afável e delicado".
No capítulo A influência de um livro de Cícero, confessa que estudava eloquência apenas para se gabar: "Era entre estes companheiros que eu, ainda de tenra idade, estudava eloqüência, na qual desejava salientar-me, com a intenção condenável e vã de saborear os prazeres da vaidade humana".
Da metade para o final do livro III demonstra como desconhecia a importância de Deus: Como podia eu conhecê-lo, se meus olhos só atingiam o corpo e meu espírito não via mais do que fantasmas? […] Ignorava que Deus é espírito e não tem membros dotados de comprimento e de largura, nem é matéria, porque a matéria é menor na sua parte do que no seu todo. Desconhecia inteiramente que princípio havia em nós segundo o qual na Sagrada Escritura se diz que "fomos feitos à imagem de Deus". […] Ignorava a verdadeira justiça interior, que não julga pelo costume, mas pela lei retíssima de Deus Onipotente.
terça-feira, 4 de junho de 2013
Questão sobre A arte de amar de Ovídio
Neste primeiro livro de A arte de amar Ovídio oferece orientações ao homem que deseja conquistar uma mulher (solteira ou casada) na sociedade romana. Comente alguns dos conselhos que ele apresenta.
No início do livro, no capítulo Plano, Ovidio diz que o homem deve procurar onde é mais propício encontrar a pessoa certa para ele: "Conhece bem o caçador em que lugares há de aos veados estender as redes; conhece bem por que vales vagueia o javali, de dentes afiados. São conhecidos dos passarinheiros os arbustos, aquele que arma o anzol conhece as águas onde nadam os maiores cardumes; assim também tu, que buscas matéria para um amor duradouro, aprende, primeiro, em que lugares abundam as mulheres".
No capítulo O circo, as corridas de cavalo são um dos lugares sugeridos por Ovidio devida a proximidade que os espectadores ficam um do outro: "... ainda bem que as marcações te obrigam, mesmo que não queiras, a encostar-te, e que ela, graças as condições do lugar, tem de consentir ser tocada por ti".
Em O banquete, explica como o momento de ir a mesa também pode ser propício para uma aproximação, especialmente com ajuda do vinho: "O vinho põe o coração a jeito e torna-o pronto para a fogueira; os cuidados desvanecem-se e diluem-se numa boa dose de vinho puro; chega então, o riso, então o pobre ganha coragem".
Em A Mulher e o desejo, incita os homens a serem auto-confiantes, que a conquista não é uma missão impossível já que as mulheres são propensas a se apaixonarem: "Antes de mais, tem confiança no teu coração de que todas podem ser conquistadas. e vais conquistá-las; basta que estendas as redes".
Em A arte da palavra, aconselha os homens a estudarem, não só pelo conhecimento em si, mas para poder impressionar suas mulheres: "Aprende as boas artes, esse é o meu conselho, ó juventude de Roma, e não apenas para defender réus temerosos; tal como o povo e o juiz severo e os eleitos do senado, assim também a mulher, vencida, há de render as mãos a tua eloquência".
Em Presença constante, mostra como de nada o resto adianta se não se fizer presente e carinhoso: "Sempre que ela se levantar, levanta-te; enquanto estiver sentada, fica sentado; gasta o teu tempo segundo os caprichos da tua dama".
Em A beleza masculina e Palidez descreve um ideal de beleza que os homens devem tentar atingir. Para o autor, "uma beleza desarranjada é o que fica bem aos homens". Ainda que muitos adornos não seja bem vistos pois por exemplo "A filha de Minos, Teseu a levou, sem ter a cabeça enfeitada com qualquer gancho", a higiene e boas vestimentas são essenciais: "É a limpeza que deve dar prazer; revele o corpo a pele tisnada no Campo de Marte; esteja a toga apresentável e sem nódoas; não deve usar-se calçado ressequido e não haja ferrugem nas fivelas". "…sejam cabelo e barba aparados por mão firme; as unhas não devem dar nas vistas de compridas e devem estar limpas, e no nariz não deve haver nenhum pelo; nem saia mau hálito de uma boca malcheirosa, nem atinja o nariz dos outros o fedor do macho e do pai do rebanho". Ou seja, tirando as questões de higiente e vestimenta, qualquer outro tipo de adorno é visto como coisa restrita a mulheres ou homens gays: "Quanto ao resto, deixa-o por conta das mulheres dadas ao prazer ou de qualquer homem que tenha o vício de possuir outro homem".
Ao contrário do que pode-se pensar, Ovidio não repreende a falsidade, enumerando suas vantagens nos capítulos Fingimento e Lisonja, Juras e promessas e especialmente em Lágrimas: "Também as lágrimas são úteis; com lágrimas, comoverás diamantes; faz, se conseguires, que ela veja o teu rosto banhado de pranto; se as lágrimas não aparecerem, pois nem sempre surgem no tempo certo, esfrega os olhos com as mão molhadas".
Em diversos capítulos, enfatiza a importância de tomar a iniciativa, mas isso é ainda mais reforçado no capítulo A iniciativa é masculina, no qual Ovidio diz "Tal como é uma vergonha, sem dúvida, uma mulher tomar a iniciativa".
Também sugere cautela com os amigos no capítulo Desconfiar dos amigos, no qual sugere nunca se gabar da mulher que se tem, pois os amigos podem tentar toma-la: "Não é seguro gabares a um amigo o objeto dos teus amores; quando acredita em ti, que tanto gabas, ele próprio te passa a perna".
Apesar de enumerar diversas receitas e dicas de como conquistar uma mulher, Ovidio termina com o capítulo Para mil mulheres modos mil, no qual deixa claro que não existe fórmula infalível pois "são variados os corações das mulheres" e "Não produz a mesma terra tudo, numa, dá-se bem a videira, noutra, a oliveira; aqui reverdece bem a seara. Tantos são nos corações os modos, quantos no mundo os rostos; quem for sensato, estará preparado para modos sem conta e, qual Proteu, ora se há de adelgaçar nas águas ligeiras, ora há de ser leão, ora árvore, ora javali de pelo eriçado. Aqui apanham-se os peixes com tarrafa, ali com anzol, acolá as redes fundas os arrastam puxadas por cordas retesadas".
No início do livro, no capítulo Plano, Ovidio diz que o homem deve procurar onde é mais propício encontrar a pessoa certa para ele: "Conhece bem o caçador em que lugares há de aos veados estender as redes; conhece bem por que vales vagueia o javali, de dentes afiados. São conhecidos dos passarinheiros os arbustos, aquele que arma o anzol conhece as águas onde nadam os maiores cardumes; assim também tu, que buscas matéria para um amor duradouro, aprende, primeiro, em que lugares abundam as mulheres".
No capítulo O circo, as corridas de cavalo são um dos lugares sugeridos por Ovidio devida a proximidade que os espectadores ficam um do outro: "... ainda bem que as marcações te obrigam, mesmo que não queiras, a encostar-te, e que ela, graças as condições do lugar, tem de consentir ser tocada por ti".
Em O banquete, explica como o momento de ir a mesa também pode ser propício para uma aproximação, especialmente com ajuda do vinho: "O vinho põe o coração a jeito e torna-o pronto para a fogueira; os cuidados desvanecem-se e diluem-se numa boa dose de vinho puro; chega então, o riso, então o pobre ganha coragem".
Em A Mulher e o desejo, incita os homens a serem auto-confiantes, que a conquista não é uma missão impossível já que as mulheres são propensas a se apaixonarem: "Antes de mais, tem confiança no teu coração de que todas podem ser conquistadas. e vais conquistá-las; basta que estendas as redes".
Em A arte da palavra, aconselha os homens a estudarem, não só pelo conhecimento em si, mas para poder impressionar suas mulheres: "Aprende as boas artes, esse é o meu conselho, ó juventude de Roma, e não apenas para defender réus temerosos; tal como o povo e o juiz severo e os eleitos do senado, assim também a mulher, vencida, há de render as mãos a tua eloquência".
Em Presença constante, mostra como de nada o resto adianta se não se fizer presente e carinhoso: "Sempre que ela se levantar, levanta-te; enquanto estiver sentada, fica sentado; gasta o teu tempo segundo os caprichos da tua dama".
Em A beleza masculina e Palidez descreve um ideal de beleza que os homens devem tentar atingir. Para o autor, "uma beleza desarranjada é o que fica bem aos homens". Ainda que muitos adornos não seja bem vistos pois por exemplo "A filha de Minos, Teseu a levou, sem ter a cabeça enfeitada com qualquer gancho", a higiene e boas vestimentas são essenciais: "É a limpeza que deve dar prazer; revele o corpo a pele tisnada no Campo de Marte; esteja a toga apresentável e sem nódoas; não deve usar-se calçado ressequido e não haja ferrugem nas fivelas". "…sejam cabelo e barba aparados por mão firme; as unhas não devem dar nas vistas de compridas e devem estar limpas, e no nariz não deve haver nenhum pelo; nem saia mau hálito de uma boca malcheirosa, nem atinja o nariz dos outros o fedor do macho e do pai do rebanho". Ou seja, tirando as questões de higiente e vestimenta, qualquer outro tipo de adorno é visto como coisa restrita a mulheres ou homens gays: "Quanto ao resto, deixa-o por conta das mulheres dadas ao prazer ou de qualquer homem que tenha o vício de possuir outro homem".
Ovídio
Ao contrário do que pode-se pensar, Ovidio não repreende a falsidade, enumerando suas vantagens nos capítulos Fingimento e Lisonja, Juras e promessas e especialmente em Lágrimas: "Também as lágrimas são úteis; com lágrimas, comoverás diamantes; faz, se conseguires, que ela veja o teu rosto banhado de pranto; se as lágrimas não aparecerem, pois nem sempre surgem no tempo certo, esfrega os olhos com as mão molhadas".
Em diversos capítulos, enfatiza a importância de tomar a iniciativa, mas isso é ainda mais reforçado no capítulo A iniciativa é masculina, no qual Ovidio diz "Tal como é uma vergonha, sem dúvida, uma mulher tomar a iniciativa".
Também sugere cautela com os amigos no capítulo Desconfiar dos amigos, no qual sugere nunca se gabar da mulher que se tem, pois os amigos podem tentar toma-la: "Não é seguro gabares a um amigo o objeto dos teus amores; quando acredita em ti, que tanto gabas, ele próprio te passa a perna".
Apesar de enumerar diversas receitas e dicas de como conquistar uma mulher, Ovidio termina com o capítulo Para mil mulheres modos mil, no qual deixa claro que não existe fórmula infalível pois "são variados os corações das mulheres" e "Não produz a mesma terra tudo, numa, dá-se bem a videira, noutra, a oliveira; aqui reverdece bem a seara. Tantos são nos corações os modos, quantos no mundo os rostos; quem for sensato, estará preparado para modos sem conta e, qual Proteu, ora se há de adelgaçar nas águas ligeiras, ora há de ser leão, ora árvore, ora javali de pelo eriçado. Aqui apanham-se os peixes com tarrafa, ali com anzol, acolá as redes fundas os arrastam puxadas por cordas retesadas".
domingo, 26 de maio de 2013
Questão sobre Dafnis e Cloe de Longo
Na ilha de Lesbos, dois adolescentes gregos crescem juntos e descobrem o amor. Comente algumas passagens do texto que caracterizem bem a natureza e as peculiaridades dessa descoberta.
No inicio do livro, na primavera, quando ele tinha 15 anos e ela 13, os jogos de ambos eram infantis (Sus juegos eram infantiles y proprios de zagales), tomavam leite, vinho e se alimentavam juntos o lanche que traziam de casa (A menudo compartian ambos la leche ey el vino, y se comian juntos la merienda que traian de casa). Eram amigos tão inseparáveis, que mesmo sendo ótimos pastores, era mais fácil ver as cabras e ovelhas separadas do que Dafnis e Cloe separados (En suma, más bien se hubieran visto las cabras y las ovejas dispersas que a Dafnis y Cloe separados). Entretanto, não levou muito tempo para o amor surgir para eles (En medio de tales juegos, Amor empezó a darles penas). Cloe começou a reparar na beleza de Dafnis certa vez quando ele estava lavando algumas feridas na gruta das ninfas. Ela viu como seus cabelos eram negros, o corpo bronzeado e a pele macia (La cabellera era negra y abundante; el cuerpo, tostado del sol. Diriase que le daba color obscuro la sombra de la cabellera. Cloe que miraba a Dafnis, le hallo hermoso, y como hasta alli no habia reparado en su hermosura, imaginó que el bano se la prestaba. Cloe lavó luego las espaldas a Dafnis, y hallo tan suave la piel, que de oculto se tocó ella muchas veces la suya para decidir cual de los dos la tenia más delicada). Quando voltaram para casa, o que Cloe mais desejava era ver Dafnis banhando-se novamente (Como ya el sol iba a ponerse, ambos volvieron con el hato a sus cabanas, y Cloe deseaba nada tanto como ver a Dafnis banarse de nuevo).
No dia seguinte, Cloe não conseguia cuidar direito dos animais, pensava no banho de Dafnis, reparava nele em vez do rebanho, sentia inquietude na alma, não controlava seus olhos. Se dormia, despertava do nada, com o rosto coberto de palidez que logo ardia em rubor. Ora ria, ora chorava. Tinha perdido o apetite. Não entendia o que se passava pois nunca tinha ouvido falar no que era o amor (Sentia inquietud en el alma; no podia dominar sus ojos y hablaba mucho de Dafnis. No comia de dia, velaba de noche y descuidaba sus ovejas; ya reia, ya lloraba; Si dormia, se despertaba de subito; su rostro se cubria de palidez y luego ardia en rubor).
Na confusão de não entender o que se passava, achou que estava doente, embora isso não parecesse a resposta certa pois já tinha sido picada por abelhas e ficado logo curada. Pra ela, dessa vez, era uma picada que estava atingindo seu coração e era muito mais cruel que todas que já tinha sentido (Estoy mala e ignoro mi mal; padezco y no me veo herida; me lamento y no perdi ningun corderillo; me abraso y estoy sentada a la sombra. Mil veces me clave las espinas de los zarzales y no lloré; me picaron las abejas y pronto quede sana. Sin duda que esta picadura de ahora llega al corazón y es más cruel que las otras).
Cloe chegou ao ponto de tentar analisar aqueles sentimentos racionalmente afim de entende-los, por exemplo, achava Dafnis muito belo, do mesmo modo que achava as flores, mas em vez de pensar nas flores e em Dafnis, pensava só nele (Si Dafnis es bello, las flores lo son tambien; si el canta lindamente, no cantan mal las avecicas. Por que piento en el y no en las avecicas y en las flores?).
Cloe queria ser a flauta de Dafnis para sentir seu hálito ou o cabritinho para poder ser carregada em seus braços (Quisiera ser su flauta para que infundiese en mi su aliento! Quisiera ser su cabritillo para que me tomara en sus brazos).
Entretanto, havia um triângulo, pois Dorcon gostava de Cloe e tentava dissuadi-la de Dafnis falando, entre outras coisa, que ele era mais alto, educado, branco e muito mais rico que Dafnis, (soy más alto que Dafnis, y valgo más de boyero que el cabrero, porque los bueyes valen más que las cabras. Soy blanco como la leche y rubio como las mies cuando la siegan. No me crió una bestia, sino mi madre. Este es chiquitin, lampino como las mujeres y negro como um lobezno. Vive entre chotos, y su olor ha de ser atroz, y e tan pobre, que no tiene para mantener um perro) mas não havia um motivo que fizesse Cloe pensar menos de Dafnis.
Até que um dia, movido pelo desejo, beijou inocentemente Dafnis. Dafnis não parecia ter sido beijado mas sim mordido pois desse dia em diante, suspirava com frequência e não reprimia a agitação em seu peito. Sempre que via Cloe, ficava vermelho. Admirava sua beleza. Achava que antes estava cego pois não via tudo isso. Se perguntava "O que me fez o beijo de Cloe? Seus lábios são mais suaves que as rosas, sua boca mais doce que um favo e seu beijo mais punjante que uma agulha de abelha". "Me faz falta seu hálito, meu coração palpita, me derrete a alma, e mesmo assim quero mais beijos". "Havia Cloe tomado veneno antes de me beijar? Como não morri então?"
Ambos se alegravam ao ver um ao outro, doia neles se separar. Só sabiam que a origem de sua inquietação para ela era um banho, e para ele um beijo. Dessa forma descobriram o amor, sem ninguém contar para eles, simplesmente vivendo o momento, tentando entender seus sentimentos.
No inicio do livro, na primavera, quando ele tinha 15 anos e ela 13, os jogos de ambos eram infantis (Sus juegos eram infantiles y proprios de zagales), tomavam leite, vinho e se alimentavam juntos o lanche que traziam de casa (A menudo compartian ambos la leche ey el vino, y se comian juntos la merienda que traian de casa). Eram amigos tão inseparáveis, que mesmo sendo ótimos pastores, era mais fácil ver as cabras e ovelhas separadas do que Dafnis e Cloe separados (En suma, más bien se hubieran visto las cabras y las ovejas dispersas que a Dafnis y Cloe separados). Entretanto, não levou muito tempo para o amor surgir para eles (En medio de tales juegos, Amor empezó a darles penas). Cloe começou a reparar na beleza de Dafnis certa vez quando ele estava lavando algumas feridas na gruta das ninfas. Ela viu como seus cabelos eram negros, o corpo bronzeado e a pele macia (La cabellera era negra y abundante; el cuerpo, tostado del sol. Diriase que le daba color obscuro la sombra de la cabellera. Cloe que miraba a Dafnis, le hallo hermoso, y como hasta alli no habia reparado en su hermosura, imaginó que el bano se la prestaba. Cloe lavó luego las espaldas a Dafnis, y hallo tan suave la piel, que de oculto se tocó ella muchas veces la suya para decidir cual de los dos la tenia más delicada). Quando voltaram para casa, o que Cloe mais desejava era ver Dafnis banhando-se novamente (Como ya el sol iba a ponerse, ambos volvieron con el hato a sus cabanas, y Cloe deseaba nada tanto como ver a Dafnis banarse de nuevo).
No dia seguinte, Cloe não conseguia cuidar direito dos animais, pensava no banho de Dafnis, reparava nele em vez do rebanho, sentia inquietude na alma, não controlava seus olhos. Se dormia, despertava do nada, com o rosto coberto de palidez que logo ardia em rubor. Ora ria, ora chorava. Tinha perdido o apetite. Não entendia o que se passava pois nunca tinha ouvido falar no que era o amor (Sentia inquietud en el alma; no podia dominar sus ojos y hablaba mucho de Dafnis. No comia de dia, velaba de noche y descuidaba sus ovejas; ya reia, ya lloraba; Si dormia, se despertaba de subito; su rostro se cubria de palidez y luego ardia en rubor).
Na confusão de não entender o que se passava, achou que estava doente, embora isso não parecesse a resposta certa pois já tinha sido picada por abelhas e ficado logo curada. Pra ela, dessa vez, era uma picada que estava atingindo seu coração e era muito mais cruel que todas que já tinha sentido (Estoy mala e ignoro mi mal; padezco y no me veo herida; me lamento y no perdi ningun corderillo; me abraso y estoy sentada a la sombra. Mil veces me clave las espinas de los zarzales y no lloré; me picaron las abejas y pronto quede sana. Sin duda que esta picadura de ahora llega al corazón y es más cruel que las otras).
Dafnis e Cloe
Cloe chegou ao ponto de tentar analisar aqueles sentimentos racionalmente afim de entende-los, por exemplo, achava Dafnis muito belo, do mesmo modo que achava as flores, mas em vez de pensar nas flores e em Dafnis, pensava só nele (Si Dafnis es bello, las flores lo son tambien; si el canta lindamente, no cantan mal las avecicas. Por que piento en el y no en las avecicas y en las flores?).
Cloe queria ser a flauta de Dafnis para sentir seu hálito ou o cabritinho para poder ser carregada em seus braços (Quisiera ser su flauta para que infundiese en mi su aliento! Quisiera ser su cabritillo para que me tomara en sus brazos).
Entretanto, havia um triângulo, pois Dorcon gostava de Cloe e tentava dissuadi-la de Dafnis falando, entre outras coisa, que ele era mais alto, educado, branco e muito mais rico que Dafnis, (soy más alto que Dafnis, y valgo más de boyero que el cabrero, porque los bueyes valen más que las cabras. Soy blanco como la leche y rubio como las mies cuando la siegan. No me crió una bestia, sino mi madre. Este es chiquitin, lampino como las mujeres y negro como um lobezno. Vive entre chotos, y su olor ha de ser atroz, y e tan pobre, que no tiene para mantener um perro) mas não havia um motivo que fizesse Cloe pensar menos de Dafnis.
Até que um dia, movido pelo desejo, beijou inocentemente Dafnis. Dafnis não parecia ter sido beijado mas sim mordido pois desse dia em diante, suspirava com frequência e não reprimia a agitação em seu peito. Sempre que via Cloe, ficava vermelho. Admirava sua beleza. Achava que antes estava cego pois não via tudo isso. Se perguntava "O que me fez o beijo de Cloe? Seus lábios são mais suaves que as rosas, sua boca mais doce que um favo e seu beijo mais punjante que uma agulha de abelha". "Me faz falta seu hálito, meu coração palpita, me derrete a alma, e mesmo assim quero mais beijos". "Havia Cloe tomado veneno antes de me beijar? Como não morri então?"
Ambos se alegravam ao ver um ao outro, doia neles se separar. Só sabiam que a origem de sua inquietação para ela era um banho, e para ele um beijo. Dessa forma descobriram o amor, sem ninguém contar para eles, simplesmente vivendo o momento, tentando entender seus sentimentos.
segunda-feira, 13 de maio de 2013
Pergunta sobre As troianas de Euripedes
Em As troianas Eurípedes retoma duas personagens femininas fortes, que já haviam sido apresentadas por Homero na Ilíada, Hécuba e Andrômaca. Compare brevemente as duas, destacando o modo como Eurípedes as caracteriza.
Hécuba é esposa de Príamo, rei de Tróia. Mãe de Polixena, Cassandra e Heitor, este, fora casado com Andrômaca e morto durante a guerra. Tanto Hécuba quanto Andrômaca sofrem muito pois diversas desgraças se sucedem em suas vidas, mas vemos que a maneira que as duas lidam é bastante diferente. Hécuba mostra ser bem mais conformada com o destino e sempre procurar uma saída para tanta desgraça, como mostra a seguinte parte em que diz: "A fortuna varia; Sê brava. Navega com a corrente, navega com o vento do destino. Não enfrentes com o navio da vida os vagalhões do infortúnio".
Hécuba é esposa de Príamo, rei de Tróia. Mãe de Polixena, Cassandra e Heitor, este, fora casado com Andrômaca e morto durante a guerra. Tanto Hécuba quanto Andrômaca sofrem muito pois diversas desgraças se sucedem em suas vidas, mas vemos que a maneira que as duas lidam é bastante diferente. Hécuba mostra ser bem mais conformada com o destino e sempre procurar uma saída para tanta desgraça, como mostra a seguinte parte em que diz: "A fortuna varia; Sê brava. Navega com a corrente, navega com o vento do destino. Não enfrentes com o navio da vida os vagalhões do infortúnio".
Euripedes a descreve como uma pessoa que mesmo com tantas coisas ruins acontecendo em sua vida (destruição de sua Pátria, perda de membros da família, escravidão) continua acreditando e invocando os Deuses conforme mostra essa parte: "Oh Deuses! São fracos, em verdade, os protetores que agora invoco; mas ainda é costume invocar os deuses, quando o infortúnio nos aflige". Hécuba, ao contrário de Andrômaca, prefere esse sofrimento todo do que a morte, pois segundo ela "A morte e a vida não são a mesma coisa, minha filha. A morte é o nada; na vida há esperança". Já Andrômaca acredita que em tempos de desgraça, é melhor estar morta pois "Os mortos, eu digo, são como se não tivesse nascido. É melhor morrer do que viver sofrendo". Andrômaca é vendida para ser esposa do homem que matou Heitor, e isso é o pior dos pesadelos para ela pois: "Terei de viver na casa dos assassinos de meu marido. E, se eu me esquecer de meu querido Heitor e abrir o coração ao meu senhor atual, parecerei trair os mortos. Por outro lado, se me apegar ao amor de Heitor, serie odiada pelo meu amo e senhor". Essa situação faz Andrômaca querer morrer, já Hecuba novamente tenta encontrar uma forma de ser feliz, de navegar conforme os ventos pois a aconselha da seguinte forma: "Minha querida filha, não penses mais no destino de Heitor. As tuas lágrimas não o salvarão. Respeita o teu senhor atual; influencia o teu marido com os recursos de que és capaz. Se assim fizeres, terás uma felicidade que todos os teus amigos compartilharão, e farás com que este meu neto seja uma poderosa ajuda a Tróia; algum dia, os seus descendentes poderão voltar e aqui se estabelecerem, e Tróia será outra vez uma cidade".
domingo, 5 de maio de 2013
Comentários sobre capítulo do livro Histórias de Heródoto de Halicarnasso
Ao apresentar em sua História o embate entre Creso e Ciro, Heródoto explora um tema caro ao pensamento grego, o da mudança de fortuna. Que mudança de fortuna é vivida por Creso? Para Heródoto, a que ela se deve?
Creso é o rei da Ligía, um império tão poderoso que subjugou diversos outros, fazendo de sua capital Sardes, uma cidade florescente e rica. Creso se considerava não apenas poderoso, mas também o homem mais feliz do mundo (embora Sólon tenha desmentido). Sua sorte começa a mudar com a morte de seu filho Atis, que havia sido premeditada em sonho, por causa de uma lança lançada por Adrasto, um estrangeiro acolhido por Creso. Devido ao crescimento e ameaça do império Persa, Creso procurou por oráculos de toda a Grécia para tentar se precaver (inclusive testando-os para saber se eram realmente bons oráculos). Entretanto, Creso não soube interpretar o que ouviu, levando-o a desgraça. Isso ocorreu quando dois oráculos predisseram, um e outro, ao soberano a guerra contra os Persas e a consequente destruição de um grande império. Creso se agarrou a essa esperança de que seria ele o rei do império vencedor, e não se certificou de perguntar qual seria esse império que seria destruido, ele simplesmente ficou feliz: "Creso experimentou imensa alegria e, alimentando a esperança de arrasar o império de Ciro, enviou novos emissários a Delfos com a finalidade de presentear cada um de seus habitantes …".
A segunda previsão que Creso interpretou mal foi quando perguntou se seu reinado seria longo e recebeu a seguinte resposta: "Quando um asno for rei dos Medos, então foge, lídio efeminado, para as margens do Termo pedregoso: não penses em resistir nem te envergonhes da covardia". Essa resposta fez Creso acreditar que seu reinado seria longuíssimo pois em sua opinião jamais se veria no trono dos Medos um asno. Entretanto, no fim da história ficamos sabendo que "Ciro era esse asno, por pertencerem os autores de seus dias a duas nações diferentes, sendo o pai de origem menos ilustre que sua mãe; esta natural da Média e filha de Astiages; o outro, persa e súdito a Média. Embora inferior em tudo, havia desposado a soberana". Essa interpretações desafortunadas levaram Creso a guerra e consequentemente a derrota. Creso foi de rei a condenado a morte na fogueira. No fim, quando está preso a fogueira, Creso tem ainda mais uma virada de fortuna, dessa vez positiva, quando Apolo faz chover, o que apaga a fogueira e permite que Creso vire conselheiro de Ciro (para Ciro, foi a prova que Creso era querido pelos Deuses). Para Heródoto, essas mudanças de fortuna ocorreram por causa do excesso de confiança de Creso, que não interrogou mais a fundo os Oráculos, preferindo acreditar no poder de seu império, e também a essas interpretações mal feitas. Portanto, nas palavras de Heródoto: "Não tendo nem aprendido o sentido do oráculo nem interrogado de novo o deus, não deve queixar-se senão de si mesmo".
Creso é o rei da Ligía, um império tão poderoso que subjugou diversos outros, fazendo de sua capital Sardes, uma cidade florescente e rica. Creso se considerava não apenas poderoso, mas também o homem mais feliz do mundo (embora Sólon tenha desmentido). Sua sorte começa a mudar com a morte de seu filho Atis, que havia sido premeditada em sonho, por causa de uma lança lançada por Adrasto, um estrangeiro acolhido por Creso. Devido ao crescimento e ameaça do império Persa, Creso procurou por oráculos de toda a Grécia para tentar se precaver (inclusive testando-os para saber se eram realmente bons oráculos). Entretanto, Creso não soube interpretar o que ouviu, levando-o a desgraça. Isso ocorreu quando dois oráculos predisseram, um e outro, ao soberano a guerra contra os Persas e a consequente destruição de um grande império. Creso se agarrou a essa esperança de que seria ele o rei do império vencedor, e não se certificou de perguntar qual seria esse império que seria destruido, ele simplesmente ficou feliz: "Creso experimentou imensa alegria e, alimentando a esperança de arrasar o império de Ciro, enviou novos emissários a Delfos com a finalidade de presentear cada um de seus habitantes …".
A segunda previsão que Creso interpretou mal foi quando perguntou se seu reinado seria longo e recebeu a seguinte resposta: "Quando um asno for rei dos Medos, então foge, lídio efeminado, para as margens do Termo pedregoso: não penses em resistir nem te envergonhes da covardia". Essa resposta fez Creso acreditar que seu reinado seria longuíssimo pois em sua opinião jamais se veria no trono dos Medos um asno. Entretanto, no fim da história ficamos sabendo que "Ciro era esse asno, por pertencerem os autores de seus dias a duas nações diferentes, sendo o pai de origem menos ilustre que sua mãe; esta natural da Média e filha de Astiages; o outro, persa e súdito a Média. Embora inferior em tudo, havia desposado a soberana". Essa interpretações desafortunadas levaram Creso a guerra e consequentemente a derrota. Creso foi de rei a condenado a morte na fogueira. No fim, quando está preso a fogueira, Creso tem ainda mais uma virada de fortuna, dessa vez positiva, quando Apolo faz chover, o que apaga a fogueira e permite que Creso vire conselheiro de Ciro (para Ciro, foi a prova que Creso era querido pelos Deuses). Para Heródoto, essas mudanças de fortuna ocorreram por causa do excesso de confiança de Creso, que não interrogou mais a fundo os Oráculos, preferindo acreditar no poder de seu império, e também a essas interpretações mal feitas. Portanto, nas palavras de Heródoto: "Não tendo nem aprendido o sentido do oráculo nem interrogado de novo o deus, não deve queixar-se senão de si mesmo".
terça-feira, 16 de abril de 2013
Questão sobre o Mahabharat
Os pândavas e os káurava são parentes muito próximos. No entanto, há muitas características que os distinguem e os separam, diferenças que justificam a guerra que os dois grupos travarão no Mahabharata. Que características são essas, a seu ver? Ilustre sua resposta com alguns exemplos tirados do trecho lido.
A primeira grande diferença é que os pândavas são filhos de deuses ao passo que os káuravas não. Devido a maldição que Pandu sofreu, ele jamais poderia ter filhos, ou morreria caso tentasse. Por isso, decidiu morar na floresta como um asceta e abdicar do trono de Hastinapura que era seu de direito. Na floresta vivia com suas duas esposas: Kunti e Madri. Kunti tinha uma particularidade: ela sabia de um mantra capaz de invocar os deuses. Pandu interessado em continuar sua linhagem apesar da maldição, pediu para Kunti invocar os deuses.
Três pândavas nasceram da relação de Kunti com os deuses e dois gêmeos nasceram da relação de Madri com outros deuses (Kunti havia invocado os deuses para ela). Já os cem káuravas são filhos de Dritarastra, irmão mais velho e cego de Pandu. Após a morte de Pandu (que desobedeceu a maldição) e a de Madri por ter desejado acompanha-lo na morte, Kunti e os cinco irmão foram para Hastinapura para serem criados juntos com os primos káuravas. De acordo com o texto, os pândavas eram pessoas cheias de qualidade:
Graças a tantas qualidades, isso gerou uma grande inveja nos káuravas:
Esse trecho acima demonstra que além de serem invejosos, os káuravas não possuiam no mesmo grau todas essas qualidades que os pândavas possuiam (humildade, obediência, generosidade, sinceridade). Além disso, enquanto o nascimento dos pândavas é auspicioso pois nasceram de deuses, o do kaurava mais velho é justamente o oposto, com "muitos maus augúrios". Essa inveja nos káuravas gerou ódio, conforme o trecho seguinte:
Por causa dessa raiva, os káuravas tentaram matar os pândavas em diversas oportunidades. A primeira delas foi a tentativa de envenenamento de Bima que falhou graças ao antídoto de uma cobra. Também houve uma tentativa de queimar todos os pândavas dentro de uma casa numa emboscada. Isso demonstra que os káuravas não tinham limites em sua ambição. O comportamento correto dos pândavas é novamente evidenciado em outra parte do texto:
Já o comportamento dos káuravas é o oposto do considerado correto:
Os káuravas também demonstram falsidade a fim de fazer suas emboscadas contra os pândavas, como por exemplo quando estavam agrando o povo só para levar a cabo o plano de queimar os pândavas:
Por fim, os pândavas demonstram se entender mais entre si do que os káuravas conforme esse trecho:
Já os káuravas, discordaram inicialmente quando estavam tramando o plano de queimar os pândavas (um dos káuravas sugeriu não fazer a emboscada, mas sim enfrenta-los numa batalha corpo a corpo). Todas essas características levam a crer que os pândavas representam o comportamento correto, ligado aos deuses, ao auto-conhecimento, enquanto os káuravas tem um comportamento egoísta, invejoso, falso e inconsequente.
A primeira grande diferença é que os pândavas são filhos de deuses ao passo que os káuravas não. Devido a maldição que Pandu sofreu, ele jamais poderia ter filhos, ou morreria caso tentasse. Por isso, decidiu morar na floresta como um asceta e abdicar do trono de Hastinapura que era seu de direito. Na floresta vivia com suas duas esposas: Kunti e Madri. Kunti tinha uma particularidade: ela sabia de um mantra capaz de invocar os deuses. Pandu interessado em continuar sua linhagem apesar da maldição, pediu para Kunti invocar os deuses.
Três pândavas nasceram da relação de Kunti com os deuses e dois gêmeos nasceram da relação de Madri com outros deuses (Kunti havia invocado os deuses para ela). Já os cem káuravas são filhos de Dritarastra, irmão mais velho e cego de Pandu. Após a morte de Pandu (que desobedeceu a maldição) e a de Madri por ter desejado acompanha-lo na morte, Kunti e os cinco irmão foram para Hastinapura para serem criados juntos com os primos káuravas. De acordo com o texto, os pândavas eram pessoas cheias de qualidade:
Todos os cinco irmãos exibiam excelentes qualidades. Humildes e obedientes aos mais velhos, eram generosos e sempre sinceros. Conforme cresciam, os anciãos kurus viam que eles seriam os melhores sucessores para o trono. Os garotos dos deuses agradavam aos kurus de todas as maneiras.
Graças a tantas qualidades, isso gerou uma grande inveja nos káuravas:
Esses princípes, que eram conhecidos como káuravas, logo começaram a invejar os filhos de Pandu. O mais velho deles, Duriodhana, sentia uma raiva especial pelos primos, percebendo que ameaçavam sua reinvidicação ao trono. Nem ele nem seus irmãos tinham alguma das virtudes demonstradas pelos pândavas. Na verdade, havia uma grande preocupação quanto a possibilidade de Duriodhana se tornar rei, uma vez que seu nascimento se fizera acompanhar de muitos maus augúrios.
Esse trecho acima demonstra que além de serem invejosos, os káuravas não possuiam no mesmo grau todas essas qualidades que os pândavas possuiam (humildade, obediência, generosidade, sinceridade). Além disso, enquanto o nascimento dos pândavas é auspicioso pois nasceram de deuses, o do kaurava mais velho é justamente o oposto, com "muitos maus augúrios". Essa inveja nos káuravas gerou ódio, conforme o trecho seguinte:
Vendo que a importância de sua posição diminuia com a presença dos pândavas, Duriodhana se encolerizou, pressentindo que seu direito ao trono estava ameaçado. Além das muitas qualidades pessoais, parecia que os pândavas também tinham objetivos superiores para o reino.
Por causa dessa raiva, os káuravas tentaram matar os pândavas em diversas oportunidades. A primeira delas foi a tentativa de envenenamento de Bima que falhou graças ao antídoto de uma cobra. Também houve uma tentativa de queimar todos os pândavas dentro de uma casa numa emboscada. Isso demonstra que os káuravas não tinham limites em sua ambição. O comportamento correto dos pândavas é novamente evidenciado em outra parte do texto:
O comportamento correto e quase divino dos pândavas conquistou Bishma e Vidura, de quem eles eram os favoritos.
Já o comportamento dos káuravas é o oposto do considerado correto:
O príncipe kaurava era muito arrogante e dado a certo comportamento licencioso. Eles e os irmãos adoravam beber muito vinho e ficar com mulheres, rindo-se dos pândavas, que se mantinham fiéis aos princípios da virtude.
Os káuravas também demonstram falsidade a fim de fazer suas emboscadas contra os pândavas, como por exemplo quando estavam agrando o povo só para levar a cabo o plano de queimar os pândavas:
Já notara como os káuravas estavam tentando obter a simpatia do povo com favores e caridades, e agora comprendia por quê. Para ele (Iudistira), era óbvio que algum plano malicioso estava a caminho.
Por fim, os pândavas demonstram se entender mais entre si do que os káuravas conforme esse trecho:
Os outros pândavas, sempre obedientes ao irmão mais velho, concordaram.
Já os káuravas, discordaram inicialmente quando estavam tramando o plano de queimar os pândavas (um dos káuravas sugeriu não fazer a emboscada, mas sim enfrenta-los numa batalha corpo a corpo). Todas essas características levam a crer que os pândavas representam o comportamento correto, ligado aos deuses, ao auto-conhecimento, enquanto os káuravas tem um comportamento egoísta, invejoso, falso e inconsequente.
domingo, 14 de abril de 2013
Comentários sobre A epopéia de Gilgamesh
Em A Epopeia de Gilgamesh, um conjunto de histórias sumérias sobre o jovem rei de Uruk, é possível perceber aspectos associados à vida civilizada, à vida selvagem e ainda à convivência entre ambas. A partir de alguns exemplos extraídos do texto, reflita sobre esse tema.
No texto, Gilgamesh representa a vida civilizada enquanto Enkidu representa a vida selvagem. Isso fica claro em diversas partes do texto. O texto logo começa descrevendo aspectos físicos de Enkidu:
Esse trecho evidencia a aparência ''animalesca" de Enkidu (cabelos longos, pelos emaranhados) além de mostrar aspectos de personalidade mais primitivos e ligados a natureza como a inocência e a falta de conhecimentos sobre cultivo da terra (o cultivo da terra foi justamente o que sedentarizou e iniciou a revolução do neolítico que civilizou o homem).
Em outro trecho, é feito um paralelo entre o comportamento dos animais da floresta e Enkidu, mostrando que ambos se comportavam da mesma maneira, pois ele comia e bebia o mesmo que os animais:
A convivência entre o selvagem e o urbano é num primeiro momento tensa. Um caçador representante da vida urbana diz sobre Enkidu:
O medo fica mais claro nessa outra frase:
O homem selvagem atrapalha o homem civilizado, como demonstra essa passagem:
A convivência fica mais tensa quando o caçador decide "civilizar" Enkidu, através das "artes da mulher". Segundo Deus, isso faria os animais repudiarem Enkidu. O caçador com ajuda de uma rameira, segue então o plano, que de fato dá certo; as "artes da mulher" trazem para o homem selvagem o conhecimento e os "pensamentos do homem", como mostra essa parte do texto:
Esse novo conhecimento gera a transformação do homem primitivo no homem civilizado. Se transforma na corda metafórica que não deixa Enkidu seguir os animais. Essa transformação parece ruim num primeiro momento por causa do repudio dos animais, mas acaba sendo vista com bons olhos por Enkidu quando a rameira o sugere ir a cidade. Nas palavras da rameira:
Outra passagem dessa colisão de dois mundos é quando Enkidu bebe vinho e come pão pela primeira vez:
O embate final entre o homem civilizado contra o homem selvagem é representado na luta entre Gilgamesh e Enkidu:
No fim, essa luta foi vencida por Gilgamesh, representante da vida civilizada. Embora Gilgamesh represente a vida civilizada, ele também demonstra um fascínio pela vida selvagem, isso é evidenciado quando ele conta um sonho que teve a sua mãe:
Sua mãe então conta que esse meteoro representa Enkidu:
Nessa afirmação mais uma vez Enkidu é comparado a vida no campo pois nasceu nos campos e foi criado nas colinas agrestes. Embora exista esse fascínio do homem civilizado em relação a natureza, não há volta para o mundo selvagem uma vez que se conhece a civilização.
No texto, Gilgamesh representa a vida civilizada enquanto Enkidu representa a vida selvagem. Isso fica claro em diversas partes do texto. O texto logo começa descrevendo aspectos físicos de Enkidu:
Seu corpo era rústico, seus cabelos como os de uma mulher; eles ondulavam como o cabelo de Nisaba, a deusa dos grãos. Ele tinha o corpo coberto por pêlos emaranhados, como os de Samuqan, o deus do gado. Ele era inocente a respeito do homem e nada conhecia do cultivo da terra.
Esse trecho evidencia a aparência ''animalesca" de Enkidu (cabelos longos, pelos emaranhados) além de mostrar aspectos de personalidade mais primitivos e ligados a natureza como a inocência e a falta de conhecimentos sobre cultivo da terra (o cultivo da terra foi justamente o que sedentarizou e iniciou a revolução do neolítico que civilizou o homem).
Em outro trecho, é feito um paralelo entre o comportamento dos animais da floresta e Enkidu, mostrando que ambos se comportavam da mesma maneira, pois ele comia e bebia o mesmo que os animais:
Enkidu comia grama nas colinas junto com as gazelas e rondava os poços de água com os animais da floresta; junto com os rebanhos de animais de caça, ele se alegrava com a água.
A convivência entre o selvagem e o urbano é num primeiro momento tensa. Um caçador representante da vida urbana diz sobre Enkidu:
Ele é o homem mais forte do mundo, parece um dos imortais do céu.
O medo fica mais claro nessa outra frase:
Tenho medo e não ouso dele me aproximar.
O homem selvagem atrapalha o homem civilizado, como demonstra essa passagem:
Ele (Enkidu) tapa os buracos que cavo e destrói as armadilhas que preparo para a caça; ele ajuda as feras a escapar e agora elas escorregam por entre meus dedos.
A convivência fica mais tensa quando o caçador decide "civilizar" Enkidu, através das "artes da mulher". Segundo Deus, isso faria os animais repudiarem Enkidu. O caçador com ajuda de uma rameira, segue então o plano, que de fato dá certo; as "artes da mulher" trazem para o homem selvagem o conhecimento e os "pensamentos do homem", como mostra essa parte do texto:
Enkidu queria segui-las (as gazelas), mas seu corpo parecia estar preso por uma corda, seus joelhos fraquejavam quando tentava correr, ele perdera sua rapidez e agilidade. E todas as criaturas da selva fugiram; Enkidu perdera sua força, pois agora tinha o conhecimento dentro de si, e os pensamentos do homem ocupavam seu coração.
Esse novo conhecimento gera a transformação do homem primitivo no homem civilizado. Se transforma na corda metafórica que não deixa Enkidu seguir os animais. Essa transformação parece ruim num primeiro momento por causa do repudio dos animais, mas acaba sendo vista com bons olhos por Enkidu quando a rameira o sugere ir a cidade. Nas palavras da rameira:
És sábio, Enkidu, e agora te tornaste semelhante a um deus. Por que queres ficar correndo à solta nas colinas com as feras do mato? Vem comigo. Vem e te levarei à Uruk ...
Outra passagem dessa colisão de dois mundos é quando Enkidu bebe vinho e come pão pela primeira vez:
Eles depositaram pão à sua frente, mas Enkidu só estava habituado ao leite que sugava dos animais selvagens. Ele se atrapalhou com as mãos e pasmou, sem saber o que fazer com o pão e o vinho forte. A mulher então disse: Enkidu, come o pão, é o suporte da vida; bebe o vinho, é o costume da terra. Enkidu então comeu até ficar satisfeito e bebeu do vinho forte, sete cálices. Ele ficou alegre, seu coração exultou e seu rosto se cobriu de brilho. Enkidu escovou os pêlos emaranhados de seu corpo e untou-se com óleo. Ele se transformara num homem;
O embate final entre o homem civilizado contra o homem selvagem é representado na luta entre Gilgamesh e Enkidu:
Os dois então se engalfinharam como touros. Destruíram a porta da casa, e suas paredes tremeram; bufavam como dois touros trancados juntos.
No fim, essa luta foi vencida por Gilgamesh, representante da vida civilizada. Embora Gilgamesh represente a vida civilizada, ele também demonstra um fascínio pela vida selvagem, isso é evidenciado quando ele conta um sonho que teve a sua mãe:
Um meteoro, feito da mesma substância de Anu, caiu do céu. Tentei levantá-lo do chão, mas era pesado demais. Toda a gente de Uruk veio vê-lo; o povo se empurrava e se acotovelava ao seu redor, e os nobres se apinhavam para beijar-lhe os pés; ele exercia sobre mim uma atração semelhante à que exerce o amor de uma mulher.
Sua mãe então conta que esse meteoro representa Enkidu:
Ele é um forte companheiro, alguém que ajuda o amigo nas horas de necessidade. Ele é o mais forte entre todas as criaturas selvagens; é feito da substância de Anu. Ele nasceu nos campos e foi criado nas colinas agrestes. Ficarás feliz ao encontrá-lo; vais amá-lo como a uma mulher, e ele jamais te abandonará. E isto o que significa teu sonho.
Nessa afirmação mais uma vez Enkidu é comparado a vida no campo pois nasceu nos campos e foi criado nas colinas agrestes. Embora exista esse fascínio do homem civilizado em relação a natureza, não há volta para o mundo selvagem uma vez que se conhece a civilização.
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Comentários sobre o Tao Teh King
Na primeira parte do Tao Teh King é delineado o perfil do Sábio, com a indicação de quais devem ser as suas características. Discorra então, em sua resposta, sobre essas características.
A principal lição do Tao Teh King é que o sábio não deve criar intrigas. Essas intrigas são evitadas se ele manter o povo na paz, sem grandes anseios e vontades, pois é isso que gera os inimigos. Por exemplo, no texto é dito
Isso que dizer que no momento que alguém diz que tal flor é a mais bonita, está automaticamente dizendo que as demais não são tanto, ou seja, criando a fealdade. O Sábio deve evitar criar essas diferenciações pois
Isto é, não diferenciar, manter o mistério entre por exemplo o belo e o feio é a porta para toda a maravilha. O sábio que segue essa regra é aquele que
justamente para evitar a diferenciação. Isso fica mais claro quando é dito:
ou seja, mais uma vez, louvar, elogiar, diferenciar, pode num primeiro momento parecer bom, pois eleva algumas pessoas, mas na realidade (do Tao Teh King), cria inveja, vontades indesejadas nos outros e consequentemente, inimigos. O bom governo então, seguindo essa linha de raciocínio, é aquele que
e por triunfo aqui entendemos tirar o poder do Sábio. Em suma, deve-se evitar os inimigos e as lutas pois
Outro motivo para fugir das lutas é que é é impossível vencer todas pois
Essa frase diz muito a respeito do porque evitar brigas: não importa o quão bom e poderoso o sábio é, nem mesmo uma espada que é sempre afiada mantém seu fio pra sempre, assim como nem sempre uma pessoa bem preparada vai vencer sempre as brigas.
Deve-se entrar na briga somente quando estritamente necessário. O sábio deve ser parco em palavras e ações. Enfim,
não é vencer a guerra o caminho, mas sim evitá-la.
O dirigente que consegue seguir isso acaba sendo
O bom dirigente não é aquele que venceu grandes guerras, é aquele que não precisou participar de nenhuma, mesmo que isso o faça não ser tão lembrado quanto outros dirigentes.
A principal lição do Tao Teh King é que o sábio não deve criar intrigas. Essas intrigas são evitadas se ele manter o povo na paz, sem grandes anseios e vontades, pois é isso que gera os inimigos. Por exemplo, no texto é dito
quando o mundo reconhece o belo como belo, está criando a fealdade.
Isso que dizer que no momento que alguém diz que tal flor é a mais bonita, está automaticamente dizendo que as demais não são tanto, ou seja, criando a fealdade. O Sábio deve evitar criar essas diferenciações pois
Ser e não ser emanam da mesma fonte, ainda que tenham nomes diferentes. Ambos são um mistério. E nesse mistério está a porta para toda a maravilha.
Isto é, não diferenciar, manter o mistério entre por exemplo o belo e o feio é a porta para toda a maravilha. O sábio que segue essa regra é aquele que
faz seu trabalho, mas não lhe outorga nenhum valor,
justamente para evitar a diferenciação. Isso fica mais claro quando é dito:
Não louvando os dotados, evitarás a rivalidade e a luta.
Não dando valor as coisas difíceis de conseguir, evitarás o ataque e o roubo,
ou seja, mais uma vez, louvar, elogiar, diferenciar, pode num primeiro momento parecer bom, pois eleva algumas pessoas, mas na realidade (do Tao Teh King), cria inveja, vontades indesejadas nos outros e consequentemente, inimigos. O bom governo então, seguindo essa linha de raciocínio, é aquele que
esvazia o coração de desejos,
enfraquece as ambições,
para que os mais astutos não busquem o triunfo,
e por triunfo aqui entendemos tirar o poder do Sábio. Em suma, deve-se evitar os inimigos e as lutas pois
se não lutas contra outros, estarás livre de culpa
Outro motivo para fugir das lutas é que é é impossível vencer todas pois
Golpeia e afia constantemente uma espada, e não poderás manter seu fio por muito tempo.
Essa frase diz muito a respeito do porque evitar brigas: não importa o quão bom e poderoso o sábio é, nem mesmo uma espada que é sempre afiada mantém seu fio pra sempre, assim como nem sempre uma pessoa bem preparada vai vencer sempre as brigas.
Deve-se entrar na briga somente quando estritamente necessário. O sábio deve ser parco em palavras e ações. Enfim,
Sê um lider e não um assassino,
aquele cuja existência passa quase desapercebida por entre o povo.
O bom dirigente não é aquele que venceu grandes guerras, é aquele que não precisou participar de nenhuma, mesmo que isso o faça não ser tão lembrado quanto outros dirigentes.
Aquele que se exibe não brilha.
Conhece o glorioso, mantém-te humilde.
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