Meus trabalhos e experiências no curso de História da Arte na UFRGS

domingo, 26 de maio de 2013

Questão sobre Dafnis e Cloe de Longo

Na ilha de Lesbos, dois adolescentes gregos crescem juntos e descobrem o amor. Comente algumas passagens do texto que caracterizem bem a natureza e as peculiaridades dessa descoberta.

No inicio do livro, na primavera, quando ele tinha 15 anos e ela 13, os jogos de ambos eram infantis (Sus juegos eram infantiles y proprios de zagales), tomavam leite, vinho e se alimentavam juntos o lanche que traziam de casa (A menudo compartian ambos la leche ey el vino, y se comian juntos la merienda que traian de casa). Eram amigos tão inseparáveis, que mesmo sendo ótimos pastores, era mais fácil ver as cabras e ovelhas separadas do que Dafnis e Cloe separados (En suma, más bien se hubieran visto las cabras y las ovejas dispersas que a Dafnis y Cloe separados). Entretanto, não levou muito tempo para o amor surgir para eles (En medio de tales juegos, Amor empezó a darles penas). Cloe começou a reparar na beleza de Dafnis certa vez quando ele estava lavando algumas feridas na gruta das ninfas. Ela viu como seus cabelos eram negros, o corpo bronzeado e a pele macia (La cabellera era negra y abundante; el cuerpo, tostado del sol. Diriase que le daba color obscuro la sombra de la cabellera. Cloe que miraba a Dafnis, le hallo hermoso, y como hasta alli no habia reparado en su hermosura, imaginó que el bano se la prestaba. Cloe lavó luego las espaldas a Dafnis, y hallo tan suave la piel, que de oculto se tocó ella muchas veces la suya para decidir cual de los dos la tenia más delicada). Quando voltaram para casa, o que Cloe mais desejava era ver Dafnis banhando-se novamente (Como ya el sol iba a ponerse, ambos volvieron con el hato a sus cabanas, y Cloe deseaba nada tanto como ver a Dafnis banarse de nuevo).

No dia seguinte, Cloe não conseguia cuidar direito dos animais, pensava no banho de Dafnis, reparava nele em vez do rebanho, sentia inquietude na alma, não controlava seus olhos. Se dormia, despertava do nada, com o rosto coberto de palidez que logo ardia em rubor. Ora ria, ora chorava. Tinha perdido o apetite. Não entendia o que se passava pois nunca tinha ouvido falar no que era o amor (Sentia inquietud en el alma; no podia dominar sus ojos y hablaba mucho de Dafnis. No comia de dia, velaba de noche y descuidaba sus ovejas; ya reia, ya lloraba; Si dormia, se despertaba de subito; su rostro se cubria de palidez y luego ardia en rubor).

Na confusão de não entender o que se passava, achou que estava doente, embora isso não parecesse a resposta certa pois já tinha sido picada por abelhas e ficado logo curada. Pra ela, dessa vez, era uma picada que estava atingindo seu coração e era muito mais cruel que todas que já tinha sentido (Estoy mala e ignoro mi mal; padezco y no me veo herida; me lamento y no perdi ningun corderillo; me abraso y estoy sentada a la sombra. Mil veces me clave las espinas de los zarzales y no lloré; me picaron las abejas y pronto quede sana. Sin duda que esta picadura de ahora llega al corazón y es más cruel que las otras).
Dafnis e Cloe

Cloe chegou ao ponto de tentar analisar aqueles sentimentos racionalmente afim de entende-los, por exemplo, achava Dafnis muito belo, do mesmo modo que achava as flores, mas em vez de pensar nas flores e em Dafnis, pensava só nele (Si Dafnis es bello, las flores lo son tambien; si el canta lindamente, no cantan mal las avecicas. Por que piento en el y no en las avecicas y en las flores?).
Cloe queria ser a flauta de Dafnis para sentir seu hálito ou o cabritinho para poder ser carregada em seus braços (Quisiera ser su flauta para que infundiese en mi su aliento! Quisiera ser su cabritillo para que me tomara en sus brazos).

Entretanto, havia um triângulo, pois Dorcon gostava de Cloe e tentava dissuadi-la de Dafnis falando, entre outras coisa, que ele era mais alto, educado, branco e muito mais rico que Dafnis, (soy más alto que Dafnis, y valgo más de boyero que el cabrero, porque los bueyes valen más que las cabras. Soy blanco como la leche y rubio como las mies cuando la siegan. No me crió una bestia, sino mi madre. Este es chiquitin, lampino como las mujeres y negro como um lobezno. Vive entre chotos, y su olor ha de ser atroz, y e tan pobre, que no tiene para mantener um perro) mas não havia um motivo que fizesse Cloe pensar menos de Dafnis.

Até que um dia, movido pelo desejo, beijou inocentemente Dafnis. Dafnis não parecia ter sido beijado mas sim mordido pois desse dia em diante, suspirava com frequência e não reprimia a agitação em seu peito. Sempre que via Cloe, ficava vermelho. Admirava sua beleza. Achava que antes estava cego pois não via tudo isso. Se perguntava "O que me fez o beijo de Cloe? Seus lábios são mais suaves que as rosas, sua boca mais doce que um favo e seu beijo mais punjante que uma agulha de abelha". "Me faz falta seu hálito, meu coração palpita, me derrete a alma, e mesmo assim quero mais beijos". "Havia Cloe tomado veneno antes de me beijar? Como não morri então?"

Ambos se alegravam ao ver um ao outro, doia neles se separar. Só sabiam que a origem de sua inquietação para ela era um banho, e para ele um beijo. Dessa forma descobriram o amor, sem ninguém contar para eles, simplesmente vivendo o momento, tentando entender seus sentimentos.

sábado, 18 de maio de 2013

Relatório sobre a visita ao Studio Clio e MACRS

Studio Clio - Instituto de Arte e Humanismo 

Endereço: Rua José do Patrocinio 698
Funcionários: O quadro é pequeno, contando com recepcionista, relações públicas, curadores e professores convidados para os cursos e artistas para outras atividades como concertos.
Palestrante: Francisco Marshall
Minibiografia: Professor do Instituto de Artes, licenciado em história pela UFRGS, Doutor pela USP e pós-doutor por Princeton e pela universidade Heidelberg. Um dos fundadores do Studio Clio junto com seu irmão e curador cultural.

O prédio onde está localizado o Studio Clio foi construido em 1924, mas foi reformada pela arquiteta Ediolanda Liedke em 2004. O lugar é compoosto por um auditório com capacidade para 100 pessoas no formato concerto e 55 pessoas quando rearranjado para os banquetes culturais. O auditório conta ainda com telão para exibições de filmes e uma acústica especialmente projetada de forma que concertos e apresentações musicais possam ser apreciadas com toda a qualidade, lembrando a acústica dos antigos teatros gregos. Além disso, há um café, decorado com peças de arte, com opções de café, vinhos, cervejas e salgados. No andar acima do café há um pequeno mezanino que serve como camarim para os artistas de apresentações ou ainda reuniões. Por fim, há uma microgaleria de arte na recepção do Studio Clio, dedicada a artistas de destaque no meio cultural gaúcho, com curadoria da professora do IA Blanca Brites e do artista Leandro Selister. Entre as atividades do local, estão os banquetes culturais no qual a comida as refeições são temáticas, com referências audiovisuais que harmonizam com o alimento (inclusive, com apoio da cervejaria Coruja, uma cerveja criada pelo Instituto Clio foi lançada em edição especial, a cerveja Baca). Também ocorrem no local cursos e oficinas variadas com temas como escrita acádica, oficinas literárias, arte africana antiga e história da alta costura. Concertos e shows aproveitando a acústica privilegiada do local também são realizados assim como viagens com guias especializados através do Cliotur. Marshal mencionou que o próximo ocorrera na região da Magna Grécia e será conduzido por ele, especialista em História Antiga e arqueologia. O lugar não recebe apoio do governo, tendo que pagar altos impostos, portanto sendo obrigado a cobrar pelas suas atividades, o que faz algumas pessoas acusarem o local de elitista.


MACRS - Museu de Arte Contemporanea do Rio Grande do Sul

Endereço: Rua dos Andradas 736 na Casa de Cultura Mario Quintana.
Funcionários: Quadro pequeno, muitas dificuldades para novas contratações pois requer abertura de concursos públicos. Um dos problemas mencionados por André foi a falta de um restaurador de quadros, já que muitas obras acabaram sendo danificadas.
Palestrante: André Venzon
Minibiografia: Artista formado pela UFRGS, foi mediador de diversas exposições artisticas tendo atuado no MARGS, Bienal do Mercosul e Santander Cultural. Participou de exposições coletivas e intervenções culturais. Atualmente também é diretor do MACRS.

O museu foi criado em 1992 por um decreto do governo do estado com o objetivo de pesquisar, preservar e divulgar a arte contemporanea, especialmente no ambito regional, tendo sido gerido inicialmente por Gaudêncio Fidelis. O museu conta com um grande acervo, parte doada por artistas, parte adquirida com verbas provenientes do poder público. O espaço físico do local conta com as galerias Xico Stockinger, Galeria Sotero Cosme e Espaço vasco Prado. Entretanto, a casa de Cultura ficou pequena demais para o tamanho do museu e em breve ele receberá um espaço maior no antigo prédio da Mesbla, que agora abriga também a Ulbra. André mencionou também sobre todo catalogamento que foi feito das obras e do arquivo do museu, de forma que houvesse um maior controle e cuidado delas. Muitas já estavam sofrendo desgaste, mas felizmente em alguns casos, os próprios artistas se dispuseram a fazer o restauro. O objetivo para os próximos anos é continuar a crescer o acervo e divulgar melhor o museu para a comunidade.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Pergunta sobre As troianas de Euripedes

Em As troianas Eurípedes retoma duas personagens femininas fortes, que já haviam sido apresentadas por Homero na Ilíada, Hécuba e Andrômaca. Compare brevemente as duas, destacando o modo como Eurípedes as caracteriza.

Hécuba é esposa de Príamo, rei de Tróia. Mãe de Polixena, Cassandra e Heitor, este, fora casado com Andrômaca e morto durante a guerra. Tanto Hécuba quanto Andrômaca sofrem muito pois diversas desgraças se sucedem em suas vidas, mas vemos que a maneira que as duas lidam é bastante diferente. Hécuba mostra ser bem mais conformada com o destino e sempre procurar uma saída para tanta desgraça, como mostra a seguinte parte em que diz: "A fortuna varia; Sê brava. Navega com a corrente, navega com o vento do destino. Não enfrentes com o navio da vida os vagalhões do infortúnio". 

Euripedes a descreve como uma pessoa que mesmo com tantas coisas ruins acontecendo em sua vida (destruição de sua Pátria, perda de membros da família, escravidão) continua acreditando e invocando os Deuses conforme mostra essa parte: "Oh Deuses! São fracos, em verdade, os protetores que agora invoco; mas ainda é costume invocar os deuses, quando o infortúnio nos aflige". Hécuba, ao contrário de Andrômaca, prefere esse sofrimento todo do que a morte, pois segundo ela "A morte e a vida não são a mesma coisa, minha filha. A morte é o nada; na vida há esperança". Já Andrômaca acredita que em tempos de desgraça, é melhor estar morta pois "Os mortos, eu digo, são como se não tivesse nascido. É melhor morrer do que viver sofrendo". Andrômaca é vendida para ser esposa do homem que matou Heitor, e isso é o pior dos pesadelos para ela pois: "Terei de viver na casa dos assassinos de meu marido. E, se eu me esquecer de meu querido Heitor e abrir o coração ao meu senhor atual, parecerei trair os mortos. Por outro lado, se me apegar ao amor de Heitor, serie odiada pelo meu amo e senhor". Essa situação faz Andrômaca querer morrer, já Hecuba novamente tenta encontrar uma forma de ser feliz, de navegar conforme os ventos pois a aconselha da seguinte forma: "Minha querida filha, não penses mais no destino de Heitor. As tuas lágrimas não o salvarão. Respeita o teu senhor atual; influencia o teu marido com os recursos de que és capaz. Se assim fizeres, terás uma felicidade que todos os teus amigos compartilharão, e farás com que este meu neto seja uma poderosa ajuda a Tróia; algum dia, os seus descendentes poderão voltar e aqui se estabelecerem, e Tróia será outra vez uma cidade".

domingo, 5 de maio de 2013

Comentários sobre capítulo do livro Histórias de Heródoto de Halicarnasso

Ao apresentar em sua História o embate entre Creso e Ciro, Heródoto explora um tema caro ao pensamento grego, o da mudança de fortuna. Que mudança de fortuna é vivida por Creso? Para Heródoto, a que ela se deve? 

Creso é o rei da Ligía, um império tão poderoso que subjugou diversos outros, fazendo de sua capital Sardes, uma cidade florescente e rica. Creso se considerava não apenas poderoso, mas também o homem mais feliz do mundo (embora Sólon tenha desmentido). Sua sorte começa a mudar com a morte de seu filho Atis, que havia sido premeditada em sonho, por causa de uma lança lançada por Adrasto, um estrangeiro acolhido por Creso. Devido ao crescimento e ameaça do império Persa, Creso procurou por oráculos de toda a Grécia para tentar se precaver (inclusive testando-os para saber se eram realmente bons oráculos). Entretanto, Creso não soube interpretar o que ouviu, levando-o a desgraça. Isso ocorreu quando dois oráculos predisseram, um e outro, ao soberano a guerra contra os Persas e a consequente destruição de um grande império. Creso se agarrou a essa esperança de que seria ele o rei do império vencedor, e não se certificou de perguntar qual seria esse império que seria destruido, ele simplesmente ficou feliz: "Creso experimentou imensa alegria e, alimentando a esperança de arrasar o império de Ciro, enviou novos emissários a Delfos com a finalidade de presentear cada um de seus habitantes …".


 A segunda previsão que Creso interpretou mal foi quando perguntou se seu reinado seria longo e recebeu a seguinte resposta: "Quando um asno for rei dos Medos, então foge, lídio efeminado, para as margens do Termo pedregoso: não penses em resistir nem te envergonhes da covardia". Essa resposta fez Creso acreditar que seu reinado seria longuíssimo pois em sua opinião jamais se veria no trono dos Medos um asno. Entretanto, no fim da história ficamos sabendo que "Ciro era esse asno, por pertencerem os autores de seus dias a duas nações diferentes, sendo o pai de origem menos ilustre que sua mãe; esta natural da Média e filha de Astiages; o outro, persa e súdito a Média. Embora inferior em tudo, havia desposado a soberana". Essa interpretações desafortunadas levaram Creso a guerra e consequentemente a derrota. Creso foi de rei a condenado a morte na fogueira. No fim, quando está preso a fogueira, Creso tem ainda mais uma virada de fortuna, dessa vez positiva, quando Apolo faz chover, o que apaga a fogueira e permite que Creso vire conselheiro de Ciro (para Ciro, foi a prova que Creso era querido pelos Deuses). Para Heródoto, essas mudanças de fortuna ocorreram por causa do excesso de confiança de Creso, que não interrogou mais a fundo os Oráculos, preferindo acreditar no poder de seu império, e também a essas interpretações mal feitas. Portanto, nas palavras de Heródoto: "Não tendo nem aprendido o sentido do oráculo nem interrogado de novo o deus, não deve queixar-se senão de si mesmo".

Exposição Fortuna de William Kentridge no Museu Iberê Camargo

Ontem visitei finalmente a exposição Fortuna de William Kentridge, que fica temporariamente no museu Iberê Camargo de 7 de Março a 26 de Maio (curadoria de Lilian Tone). A exposição é bem grande ocupando 2 andares inteiros com quase 25 anos de obras do artista num total de 31 esculturas, 32 desenhos, 115 gravuras e duas video instalações. Como não conhecia nada do artista, foi uma grande oportunidade de conhecer sua obra, que apesar de numerosa, só foi receber reconhecimento internacional graças aos seus curtas de animação que chegaram a ser exibidos no Festival de Cannes.

Nas video instalações do museu assisti alguns deles: Johannesburg: 2nd Greatest City After Paris, Monument, Mine, Felix in Exile e Sobriety, Obesity & growing old. Assim como grande parte do resto de sua obra, as animações tocam em questões do apartheid. Embora não tenha sofrido diretamente o preconceito por ser branco, Kentridge vivenciou esse triste período sul-africano por ser seu país natal.

Todas essas animações foram feitas usando carvão e de vez em quando tinta pastel em vermelho ou azul (para retratar sangue e água).

Frame de uma de suas animações transformado em quadro

 Na exposição estão também presentes alguns frames dessas animações que o artista considerou válidos virarem quadros. Além disso, há uma parte dedicada ao massacre da Abissínia (atual Etiópia) no qual os italianos usaram armas químicas deixando vários mortos e feridos, mas que é raramente lembrado pela história.
Quadro sobre o massacre da Abissínia

 William Kentridge também possui obras menos tradicionais mas bastante interessantes, como gravuras que quando visualizadas com lentes especiais ganham uma forte noção de profundidade.

Uma das obras que requer as lentes e transmite sensação de profundidade

A minha favorita de todas foi essa escultura, que tem embora seja estática, possui diferentes significados de acordo com o ponto de observação.

De frente, o globo, formado por antenas de comunicação (ou torres de petróleo?)

De lado, o mesmo globo se desintegrando

Por trás, seria ele dominado por poucos poderosos?

Uma grata surpresa conhecer um artista contemporâneo com um estilo bem próprio e criativo, numa exposição tão bem produzida ainda por cima sem precisar sair da minha cidade.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Relatório sobre o ciclo de palestras sobre Arte e Educação no Iberê Camargo

Palestrante da primeira palestra: Paulo Portella Filho, coordenador do serviço educativo do MASP.

Paulo falou sobre a construção de sentidos com o público e seu trabalho no setor de educação do MASP. Setor esse que abriu somente após 60 anos depois da inauguração do museu (abertura oficial do setor foi em 1996, com 15 integrantes). Uma das iniciativas dele foi criar uma assessoria para professores de escolas públicas e particulares. Duas horas por semana esses professores recebem instrução para poderem repassar a seus alunos. Também existe um curso introdutório a história da arte usando obras do MASP, que acontece uma vez por mês sempre num Sábado. O curso já está na décima quinta edição, sempre lotado. Falou também das visitas guiadas realizadas no MASP, que podem incluir atividades de artísticas como pintura. Também falou de um projeto chamado amigos do MASP, em que professores ganham uma carteirinha que dá acesso ao museu de graça (o ingresso normal custa 15 reais). Entretanto, Paulo deixou claro que o setor educativo do MASP não visa auxiliar apenas escolas e mencionou um projeto no qual policiais militares aprendem sobre arte nas dependências do museu.

Palestrante da segunda palestra: Maria Isabel Leite, arte-educadora.

O foco de Maria Isabel foi os museus e as crianças. Ela mostrou como museus são ambientes na realidade de tédio e principalmente opressivos para crianças em vez de lugares que incentivem o lado artístico delas. As obras como quadros normalmente ficam numa altura ruim para qualquer criança poder olhar adequadamente, além disso, museus hoje em dia são cheios de seguranças, alarmes e regras. Ela citou como exemplo uma ida desastrosa ao museu de seu sobrinho que acabou disparando um alarme de um quadro sem querer por se aproximar demais de um vidro que protegia a obra. Ela mostrou também algumas iniciativas de alguns museus para deixar seu acervo mais acessível. Por exemplo, falou de um museu que permitia fazer festas de aniversário dentro, junto as obras, antes da entrada do público, junto com atividades lúdicas. A arte-educadora falou da falácia de que crianças querem sempre obras especialmente direcionadas para elas (como a exposição história em quadrões da Turma da Mônica) quando na realidade, crianças também podem apreciar obras de qualidade que são em princípio direcionadas a adultos.

Palestrante da terceira palestra: Cayo Honorato, pesquisador da USP.

A Palesta do Cayo tocou na importância do público no trabalho de um artista. Ele dividiu a palestra em três partes. Na primeira, mencionou um artigo de Marcel Duchamp chamado O ato criador, publicado em Abril de 1957. Nesse artigo, Duchamp afirma que o ato criador não é consumado sozinho. Isto é, existe uma área nebulosa entre a intenção de um artista e a obra em si. A obra quase nunca corresponde 100% as intenções do artista. Cabe ao público interpretar e decifrar essa área entre a intenção e a realização. Ou seja, o público ajuda o artista e tem papel fundamental pois acrescenta novas interpretações para as obras. Na segunda parte da palestra, Cayo falou sobre um artigo denominado A importância do público, de Leon DeGand, publicado em 1948. Esse artigo discorria sobre a falta de estudos sobre o impacto e importância desse público na obra de um artista. De acordo com o autor: "A obra não é apenas aquilo que o artista pretendeu que ela fosse, consciente ou inconsciente. É também [sic] tudo aquilo que cada um de nós, em obediência aos modismos espirituais da época e [sic] do estado de humor pessoal, diminui, acrescenta ou modifica". Além disso, foi comentado que existe uma dissonância entre público e artista e a única maneira de acabar com esse mal entendido é a educação. Para Matarazzo, o público não entende nada de arte moderna e deve ser educado mesmo a sua revelia. Na terceira parte da palestra, Cayo mostrou um projeto americano que ocorre na cidade de Minneapolis chamado Open Field. No verão, uma grande área aberta ao lado de um museu é usada para diversas atividades com o público, das mais variadas, desde violino para iniciantes a sessão de videos sobre gatos da Internet (lolcats).

Palestrante da quarta palestra: Rejane Coutinho, pernambucana pesquisadora do IA da Unesp.

A palestra de Rejane Coutinho foi para pensar sobre a formação do educador enquanto mediador cultural. A formação dos educadores é de extrema relevância e é responsabilidade do formador sempre manter o seu processo de formação, pois esse processo está sempre incompleto e em transformação. Além disso, o educador deve refletir constantemente e pensar sobre como foi sua própria educação de modo que consiga entender as dificuldades e desafios que seus alunos enfrentam. Por mediadores, entendemos que não são apenas professores, mas também mediadores de Instituições de arte, afinal, mediar é informar, partilhar, convencer e seduzir. Outra discussão que Rejane colocou em pauta foi sobre o papel do educativo para instituições. Para ela, existem dois grandes papéis: o papel promocional (valorização da instituição, conquista de clientes) e o educacional (transmissão de valores).

terça-feira, 16 de abril de 2013

Questão sobre o Mahabharat

Os pândavas e os káurava são parentes muito próximos. No entanto, há muitas características que os distinguem e os separam, diferenças que justificam a guerra que os dois grupos travarão no Mahabharata. Que características são essas, a seu ver? Ilustre sua resposta com alguns exemplos tirados do trecho lido.

A primeira grande diferença é que os pândavas são filhos de deuses ao passo que os káuravas não. Devido a maldição que Pandu sofreu, ele jamais poderia ter filhos, ou morreria caso tentasse. Por isso, decidiu morar na floresta como um asceta e abdicar do trono de Hastinapura que era seu de direito. Na floresta vivia com suas duas esposas: Kunti e Madri. Kunti tinha uma particularidade: ela sabia de um mantra capaz de invocar os deuses. Pandu interessado em continuar sua linhagem apesar da maldição, pediu para Kunti invocar os deuses.



Três pândavas nasceram da relação de Kunti com os deuses e dois gêmeos nasceram da relação de Madri com outros deuses (Kunti havia invocado os deuses para ela). Já os cem káuravas são filhos de Dritarastra, irmão mais velho e cego de Pandu. Após a morte de Pandu (que desobedeceu a maldição) e a de Madri por ter desejado acompanha-lo na morte, Kunti e os cinco irmão foram para Hastinapura para serem criados juntos com os primos káuravas. De acordo com o texto, os pândavas eram pessoas cheias de qualidade:

Todos os cinco irmãos exibiam excelentes qualidades. Humildes e obedientes aos mais velhos, eram generosos e sempre sinceros. Conforme cresciam, os anciãos kurus viam que eles seriam os melhores sucessores para o trono. Os garotos dos deuses agradavam aos kurus de todas as maneiras. 

Graças a tantas qualidades, isso gerou uma grande inveja nos káuravas:

Esses princípes, que eram conhecidos como káuravas, logo começaram a invejar os filhos de Pandu. O mais velho deles, Duriodhana, sentia uma raiva especial pelos primos, percebendo que ameaçavam sua reinvidicação ao trono. Nem ele nem seus irmãos tinham alguma das virtudes demonstradas pelos pândavas. Na verdade, havia uma grande preocupação quanto a possibilidade de Duriodhana se tornar rei, uma vez que seu nascimento se fizera acompanhar de muitos maus augúrios.

Esse trecho acima demonstra que além de serem invejosos, os káuravas não possuiam no mesmo grau todas essas qualidades que os pândavas possuiam (humildade, obediência, generosidade, sinceridade). Além disso, enquanto o nascimento dos pândavas é auspicioso pois nasceram de deuses, o do kaurava mais velho é justamente o oposto, com "muitos maus augúrios". Essa inveja nos káuravas gerou ódio, conforme o trecho seguinte:

Vendo que a importância de sua posição diminuia com a presença dos pândavas, Duriodhana se encolerizou, pressentindo que seu direito ao trono estava ameaçado. Além das muitas qualidades pessoais, parecia que os pândavas também tinham objetivos superiores para o reino.

Por causa dessa raiva, os káuravas tentaram matar os pândavas em diversas oportunidades. A primeira delas foi a tentativa de envenenamento de Bima que falhou graças ao antídoto de uma cobra. Também houve uma tentativa de queimar todos os pândavas dentro de uma casa numa emboscada. Isso demonstra que os káuravas não tinham limites em sua ambição. O comportamento correto dos pândavas é novamente evidenciado em outra parte do texto:

O comportamento correto e quase divino dos pândavas conquistou Bishma e Vidura, de quem eles eram os favoritos. 

Já o comportamento dos káuravas é o oposto do considerado correto:

O príncipe kaurava era muito arrogante e dado a certo comportamento licencioso. Eles e os irmãos adoravam beber muito vinho e ficar com mulheres, rindo-se dos pândavas, que se mantinham fiéis aos princípios da virtude. 

Os káuravas também demonstram falsidade a fim de fazer suas emboscadas contra os pândavas, como por exemplo quando estavam agrando o povo só para levar a cabo o plano de queimar os pândavas:

Já notara como os káuravas estavam tentando obter a simpatia do povo com favores e caridades, e agora comprendia por quê. Para ele (Iudistira), era óbvio que algum plano malicioso estava a caminho.

Por fim, os pândavas demonstram se entender mais entre si do que os káuravas conforme esse trecho:

Os outros pândavas, sempre obedientes ao irmão mais velho, concordaram.

Já os káuravas, discordaram inicialmente quando estavam tramando o plano de queimar os pândavas (um dos káuravas sugeriu não fazer a emboscada, mas sim enfrenta-los numa batalha corpo a corpo). Todas essas características levam a crer que os pândavas representam o comportamento correto, ligado aos deuses, ao auto-conhecimento, enquanto os káuravas tem um comportamento egoísta, invejoso, falso e inconsequente.