Meus trabalhos e experiências no curso de História da Arte na UFRGS

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Questão sobre Moll Flanders de Daniel Defoe


A certa altura de Moll Flanders a narradora e protagonista apresenta sua aparentemente sossegada vida de casada na América. No entanto, algo ocorre que muda sua tranquila situação. O que houve? Como Moll Flanders reage a esse giro abrupto da "roda da fortuna"? Justifique sua resposta com o comentário de algumas passagens do texto.

Moll Flanders estava em uma situação em que necessitava de dinheiro. Entretanto, sua única opção naquela altura era se casar com alguém que tivesse posses. Entretanto, Moll Flanders não era interessante para os homens da época pois
"Em resumo", diziam eles, "a viúva não tem dinheiro".

Por isso, a protagonista resolveu se mudar para um lugar em que não fosse conhecida:

"Por isso eu resolvi, no estado em que me achava, mudar de condição e ir para um outro lugar onde não era conhecida, e arrumar um outro nome, se tivesse oportunidade".

Moll Flanders com ajuda de uma amiga, se passou por sua prima e conseguiu alcançar seu intento de se casar com um homem que não era muito rico, mas que tinha algum dinheiro e realmente gostava dela. Moll teve 2 filhos com seu marido e quando estava grávida do terceiro, ocorreu o grande giro da sua "roda da fortuna" Ao conhecer sua sogra e ouvir sua história, Moll Flanders se deu conta que ela na verdade era sua mãe, e o homem com o qual estava casada era seu irmão:


"Alguém poderá avaliar a angústia de meu espírito quando cheguei a concluir que esta mulher era, nem mais nem menos, minha própria mãe. E eu tinha agora dois filhos e esperava um terceiro de meu próprio irmão, com quem dormia toda noite!"

Esse grande infortúnio fez Moll ir da alegria de uma casamento bem sucedido a mais infeliz das mulheres:

"Sentia-me a mais infeliz de todas as mulheres do mundo. Oh! Se esta história não tivesse sido jamais contada! Tudo teria sido tão bom! Não teria sabido do crime de deitar-me com meu marido, pois não saberia que era meu irmão".

Por causa disso, Moll mudou sua conduta com seu marido:

"Tivemos muitas brigas em família por causa disso, o que, com o tempo, começaram a ficar perigosas. Como perdera toda a afeição por meu marido (como o chamava), não media as minhas palavras e usava, por vezes, uma linguagem provocatória. Em suma, eu fazia todos os esforços para levá-lo a separar-se de mim, o que era a coisa que mais queria".

No fim, Moll acabou contando do fato para seu irmão, desse modo, ela partiu para Inglaterra para que seu irmão pudesse dizer aos outros que ela tinha morrido e assim ele poderia se casar de novo.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Questão sobre O livro da vida, de Santa Teresa D'avila

Santa Teresa compôs um livro que até hoje é usada por muitos como guia espiritual. Nele ela escolhe as palavras para tentar descrever toda a força de sua experiência religiosa. No trecho lido, como se poderia definir e caracterizar essa experiência? 

Embora dedicasse sua vida a igreja, Santa Teresa dizia que sua alma estava cansada e considerava que tinha maus habitos em relacao a sua religiosidade. Entretanto, ao poucos, foi entendendo melhor como vivenciar melhor sua vida religiosa. Santa Teresa menciona que leu "As confissoes de Santo Agostinho" e se identificou muito com o autor pois tambem se via como uma pecadora.


Nesse caminho de entendimento, ela conta as experiencias espirituais intensas pela qual passou que a transformaram. Por exemplo, logo no comeco do livro, Santa Teresa conta da vez que viu uma imagem de Cristo tomado de Chagas. Essa imagem ficou marcada em sua mente e deixou mais claro para ela o que Cristo passou por nos. Ela descreve essa experiencia com frases bastante fortes: "(..) me pertubei toda de ve-lo assim, porque representava bem o que passou por nos. Foi tanto o que senti do mal que havia agradeciado aquelas chagas, que meu coracao parecia que ia quebrarJoguei me junto a ele com enorme derramar de lagrimas, suplicando-lhe que me fortalecesse de uma vez para nao mais o ofender".

Ou seja, sua experiencia relatada no livro pode ser definida como transformadora (assim como a de Santo Agostinho), pois a levou a entender melhor o seu lado religioso, a ver mais clarmente o que Cristo passou, de modo que fosse um pouco menos dificil se livrar das tentacoes diarias e viver uma vida que ela considerasse menos pecaminosa.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Questão sobre O ensaiador de Galileu Galilei

Suponhamos que, em uma noite de céu estrelado e sem nuvens, Galileu Galilei quisesse reunir alguns amigos em sua casa para observar, com seus magníficos telescópios, os astros. Depois de ler O Ensaiador, sabemos que ele dificilmente convidaria, para um evento assim, Lotário Sarsi. Por quê? Comente as críticas de Galileu a Sarsi, apresentando alguns exemplos.

Em o ensaiador, Galileu inicia o texto falando como se decepcionou ao ver que suas descobertas cientificas, em vez de "ser do agrado de todos os verdadeiros apaixonados da verdadeira filosofia", acabou "(...) encontrando em muitas pessoas uma certa animosidade em diminuir, defraudar e desprezar".

Ao longo do texto, muitos desses detratores sao mencionados, e entre eles, Lotario Sarsi. Essa inimizade surgiu quando Lotario Sarsi atribui a Galileu uma obra que na verdade era de um amigo: "Permanecer calado nao me ofereceu vantagem alguma, pois meus inimigos, tao desejosos de me atrapalhar, chegaram a atribuir-me as obras dos outros escritores;e, tendo-me atacado a base destes textos, chegaram a fazer coisas que, a meu parecer, pertencem claramente a animos fanaticos e sem raciocinio. E porque nao pode o sr Mario Guiducci, por causa de seu oficio, discutir em sua Academia e depois publicar seu Discurso sobre os cometas, sem que Lotario Sarsi, pessoa completamente desconhecida, tivesse se voltado contra mim, e sem respeito algum por este gentil-homem, me considerar autor daquele discurso".


Alem disso, Galileu chama Sarsi de covarde pois ele nao tem coragem de fazer suas criticas cara a cara:
"Como é de costume em muitas cidades italianas , de poder falar livremente de qualquer coisa com qualquer um, achando extremamente divertido que alguem, seja quem for, possa com eles discutir sem respeito e ironiza-los. E a este segundo grupo deve pertencer, acredito eu, aquele que se esconde sob a mascara de Lotario Sarsi (pois, se pertencesse ao primeiro grupo, pouco lhe agradaria ter querido jogar tao forte), e acredito tambem que, assim como as escondidas ele resolveu falar contra mim poque cara a cara ele provavelmente teria se recusado.

Galileu tambem critica a falta de metodo cientifico na obra de Sarsi. Para Galileu, Sarsi tenta ludibriar os leitores afim de provar suas teorias: (...) é aqui que eu percebo como Sarsi comeca, o mais cedo possivel, a transformar com enorme liberalidade as coisas (estilo que ele manteve em todo o seu trabalho) para acomoda-las a sua finalidade. (...) afirma sem base alguma que o cometa nasceu (...).

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Questão sobre os Contos Aretinos de Pietro Aretino

Sobre os sonetos contidos neste livro literalmente "maldito", escreve José Paulo Paes, tradutor da edição brasileira que acabamos de ler, o seguinte: "Neste sentido, quer pela crueza da linguagem, quer pela carnalidade de sua temática, os sonetos aretinianos podem ser considerados o avesso da poesia culta de sua época, a qual [...] recebera de Dante e de Petrarca o gosto pela divinização da mulher [...]" (PAES, José Paulo. Uma retórica do orgasmo. In: ARETINO, Pietro. Sonetos Luxuriosos. São Paulo: Companhia das Letras, 2011. p. 32-33). Desenvolva, através de comentários próprios e de exemplos tirados dos sonetos de Aretino, essa hipótese apresentada por Paes. 

Embora a estrutura do texto e suas rimas se assemelhem a um texto culto, os termos baixos e a própria temática o tornam o avesso do que se espera de da literatura culta.

Ao contrário de seus compatriotas Petrarca e Dante, que divinizam a mulher, Aretino carnaliza a mulher, fala de seu lado sexual, com seu vocabulário cru, forte e direto.

Pietro Aretino

Desnecessário mencionar exemplos de trechos assim pois os termos de baixo calão permeiam todo o texto. Mas menciono dois trecho em que o autor ao seu modo carnalizante, elogia o feminino (claro que nao do modo divinizante de Petrarca e Dante).

Abre as coxas a fim de eu poder bem
Ver-te da cona e cu o belo viso.
Cu de fazer completo o paraíso!
Cone que poe-me o sangue num vaivém!

Outro trecho:

Fodamos, meu amor, fodamos presto.
Pois foi para foder que se nasceu,
E se amas o caralho, a cona amo eu;
Sem isto, fora o mundo bem molesto.

domingo, 18 de agosto de 2013

Questão sobre Tirant le Blanc de Joanot Martorell

Logo na Apresentação da edição brasileira de Tirant lo Blanc, o tradutor e editor Claudio Giordano cita um comentador da obra, Martí de Riquer, para quem o cavaleiro andante Tirant sempre realiza "façanhas verossímeis" e "nunca ultrapassa o humano e o factível". Considerando os trechos lidos da obra, gostaria de saber se você concorda com essa interpretação - justifique sua resposta a partir da análise de alguns exemplos extraídos do texto. 

Concordo com Martí de Riquer. Tirant é descrito como uma pessoa com muitas qualidades, todas aquelas que são esperadas de um cavaleiro, mas nenhuma sobrehumana. O texto mostra isso quando Tirant pergunta a um eremita o que é exclusivo de um cavaleiro. Poderíamos esperar alguma qualidade que fosse além das capacidades humanas, mas o eremita diz que um cavaleiro nada mais é do que um ser humano leal e justo e enfatiza que não é superior aos demais:

— Por minha fé! — exclamou Tirant —. Desejo muito saber o que é exclusivo do verdadeiro cavaleiro. — Meu filho — retrucou o eremita —, quero que saibas que, neste retiro em que me encontro, rememoro diariamente os feitos excelentes e dignos de gloriosa memória, que fazem a história dessa bem-aventurada ordem da cavalaria. O cavaleiro foi criado desde o início para manter a lealdade e a justiça em todas as coisas, e não penses que os cavaleiros provenham de linhagem superior à dos outros: pois todos nos originamos naturalmente de um pai e de uma mãe.


Além disso, na luta entre Tirant lo Blanc e o senhor de Vilasermas, vemos que não há super habilidades, apenas destreza, esforço e principalmente, valentia (e também um pouco de sorte, uma vez que por pouco que Tirant não morreu): "por serem cavaleiros valentíssimos e de grande coragem, permaneciam em combate, implacáveis. Por fim, sentindo-se à beira da morte pelo muito sangue que havia perdido, achegou-se Tirant o mais que pôde do outro e atacou-o de frente, golpeando-o no mamilo esquerdo, direto no coração. Revidou-lhe o outro com forte facada sobre a cabeça, fazendo-o perder a visão dos olhos e cair por terra antes dele. Tivesse o francês podido suster-se quando Tirant caiu, bem que teria conseguido matá-lo, se assim o quisesse. Não teve, porém, força suficiente e tombou imediatamente morto no solo".

sábado, 20 de julho de 2013

Questão sobre o Philobiblon, de Richard de Bury

O reverendo Richard de Bury publicou, em 1344, o Philobiblon, uma verdadeira declaração de amor aos livros e à cultura letrada. O capítulo que lemos, o IX, intitula-se "De como os antigos estudantes eram superiores aos atuais em fervor discente". Por que, afinal, na opinião de Bury, eram esses antigos estudantes superiores em "fervor discente"? 


Segundo Richard de Bury, os antigos estudantes gozavam de um espírito mais sutil e delicado, além disso, seus estudos eram mais profundos. Para ele, os sucessores 'só servem para discutir seus trabalhos e para escrever resumos de tudo o que eles conquistaram em suas ressonantes descobertas'.

Além disso, achava os estudantes do passado muito mais dedicados e regrados, conforme consta nesse trecho: 'No tocante ao ardor por aprender e ao afã pelo estudo, aqueles antepassados consagravam sua vida inteira, enquanto que nossos contemporâneos, passam os fecundos anos de sua juventude dominados pelo vício, e no momento em que, extintas suas paixões, querem alcançar o cume da ambígua verdade que perseguem, se entregam, perturbados, a misteres completamente estranhos a filosofia. Diante das dificuldades que encontram, preferem as fumegantes obrigações da juventude e, mais tarde, se dedicam aos cuidados econômicos do vinho que avinagrou rápido demais".

Questão sobre o conto Romeu e Julieta, de Matteo Bandello

Em nossos tempos é bastante difícil não conhecermos, ao menos em linhas gerais, a história de Romeu e Julieta, transformada em filmes, adaptada ao mundo infantil, e mesmo encenada em sua versão mais célebre, aquela de Shakespeare. Sendo assim, compare brevemente a versão que você já conhecia com aquela que encontrou no conto de Matteo Bandello, publicado no séc. XVI. 


A principal diferença, de fato, é o final. No final de William Shakespeare, Julieta toma um veneno falso para desmaiar e ser dada como morta, e assim, evitar um casamento forçado pela sua família. Tinha avisado Romeu através de uma carta, que infelizmente, não chegou ao destinatário. Romeu ao ver sua amada que julgava estar morta, toma um veneno, dessa vez, um veneno verdadeiro, efetivo. Quando Romeu desmaia, Julieta finalmente acorda. Ela tenta através de um beijo remover o veneno de Romeu, mas é tarde demais. Ela então pega a adaga de seu amado e usa para suicidar-se. Na história de Matteo, Julieta não se mata com essa adaga, mas morre de dor, de sofrimento ao ver o corpo de Romeu. Na sua lápide consta "… de pura dor morreu".